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Toque o bebé! Adaptação do texto original: Visão subnormal e Cegueira Tanto a visão subnormal quanto a cegueira podem causar situações constrangedoras para o indivíduo com deficiência visual na relação com a família, escola e trabalho. A deficiência visual pode também estar associada a outras deficiências. Após diagnóstico oftalmológico, surgem situações indagantes para o oftalmologista e a preocupação com a manutenção e a melhora da qualidade de vida de seu paciente. O que pode ser feito? Serviços de habilitação/reabilitação:
Bebés Se você tem entre seus pacientes um bebé cego ou com deficiência visual, ajude-o a ter contacto com o mundo exterior. Quando for cuidar dele no hospital ou no consultório médico, lembre-se que vivemos cercados por sons, odores e sensações que podem ajudá-lo a formar uma imagem do ambiente que o cerca. Bebés cegos não percebem "pistas" visuais que possam preveni-los sobre uma situação desagradável. É importante despertar a curiosidade do bebé e ajudá-lo a participar do mundo. Procure chamar o bebé pelo nome, fazendo-o entender que ele faz parte dos acontecimentos. Ele aprenderá a se concentrar em pistas auditivas, tácteis e olfactivas para entender o que está acontecendo ao seu redor. Fale muito com o bebé, pois a voz humana sugere uma interacção. Mesmo que não compreenda as palavras, os sons e o tom de sua voz estabelecem uma relação entre vocês. Avise sobre um desconforto que vai ocorrer. Um ligeiro bater de calcanhares antes de aplicar injecções ou tomar a temperatura por exemplo, permite ao bebé associar esta pista auditiva com o acontecimento de um facto desagradável. Isto evita um retraimento generalizado e manterá o bebé receptivo a um contacto humano positivo. Toque gentilmente na mão do bebé antes de lhe apresentar um objecto. Isto impede a ideia falsa de que as coisas aparecem do nada, ou desaparecem para dentro do nada. Os bebés cegos aprendem o conceito de "permanência do objecto" através dos outros sentidos. Este conceito dá ao bebé a noção, de que o objecto existe mesmo quando não está presente. Segure o bebé enquanto estiver alimentando-o estabelecendo assim, um contacto físico positivo, que irá compensar algum desconforto do tratamento hospitalar. Isso possibilita ao bebé compreender o processo da alimentação. Guie as mãos do bebé para que ele apalpe e sinta as diferentes texturas, estimulando sua curiosidade e o sentido do tacto. Isso pode ajudá-lo a estabelecer o conceito de alcançar, de pegar e segurar os objectos. Toque o bebé sempre que possível. O único conhecimento que os bebés cegos têm do mundo é através dp contacto com pessoas. Sem seu aconchego eles permanecerão isolados do ambiente. Descreva as partes do corpo do bebé ao ir tocando e massageando gentilmente cada uma delas. Faça com que ele perceba estes movimentos delicadamente, ao mesmo tempo em que toma consciência da imagem do seu corpo. Carregue-o com frequência, ajudando-o a entender que é parte do mundo e não um mundo dentro de si próprio. Brinque com o bebé cego sempre que possível. Nessa fase inicial de sua vida ele precisa de muita interacção positiva. Mime-o um pouco. Recém-nascidos É importante agir cuidadosamente com o bebé recém-nascido, cujo sistema nervoso muitas vezes ainda não se encontra suficientemente amadurecido e tem dificuldade para tolerar alguns estímulos. Suas energias estão concentradas em sua sobrevivência. Lembre-se sempre de:
Pré-escolares Geralmente na fase pré-escolar, as crianças cegas com desenvolvimento normal, já formaram algumas associações e imagens para compreender o mundo. Elas têm noção da permanência do objecto e estão começando a entender relações de causa e efeito. A mobilidade ajuda-as a satisfazer a curiosidade e saber o que está acontecendo à sua volta, entendendo as descrições verbais. 0 isolamento total é trágico nesta fase, representando rejeição de um mundo do qual elas apenas tem alguma percepção. Evite o isolamento da criança e a sensação de rejeição agindo sempre com os seguintes cuidados:
Faça a criança caminhar bastante, tanto quanto possível. A criança cega em fase pré-escolar, desenvolve uma percepção do espaço através da mobilidade. A falta de mobilidade pode levar ao isolamento, tornando-a retraída. Mantenha a TV, o rádio e outros sons artificiais desligados tanto quanto possível, permitindo que ela possa compreender os outros sons do ambiente. Apresente-lhe muitos objectos incentivando-a a manuseá-los. Mostre-lhe a comida da bandeja, como ela está distribuída e como abrir as vasilhas. Coloque a "campainha de pedir auxílio" num lugar acessível e mostre-lhe o funcionamento. No banheiro, conte onde está o papel higiénico, o sabonete, etc. Isto vai ajudá-la a se tornar independente e a sentir, que suas próprias acções desencadeiam relações de causa e efeito. Esclareça sobre procedimentos e ambientes estranhos, mesmo que ela ainda não possa compreendê-los. O comentário sobre as actividades, e o seu tom de voz, irão tranquilizá-la nesse ambiente diferente; por exemplo, se o berço que a criança usa em casa não tiver grades e de repente ela for colocada em um berço com grades, poderá sentir-se enjaulada e vai estranhar muito mais do que uma criança vidente. Evite discutir com outras pessoas a situação da criança quando ela estiver presente. Ela compreende muito mais do que demonstram suas expressões.
Crianças pré-escolares com deficiência visual As crianças que estão na pré-escola correm o risco de que outras crianças pensem que elas enxergam mais do que realmente enxergam. Além disso, a pouca visão pode distorcer a imagem visual do objecto e interferir com sua percepção. O uso funcional da baixa visão pode ser ainda mais prejudicado pelas circunstâncias estressantes de uma internação hospitalar, devido ao ambiente estranho e separação da família. Nunca se esqueça:
A criança que ficou cega recentemente A criança que ficou cega há pouco tempo tem que lidar com dificuldades especiais e muitos temores. Sua ajuda neste momento inicial é muito importante para sua adaptação. Lembre-se de mostrar-lhe que ela não está sozinha. É comum que ela sinta um isolamento assustador com a perda da visão e sinta ansiedade quando for deixada sozinha. Uma conversa calma pode diminuir o medo. Ela ainda não desenvolveu a capacidade de entender as diferentes inflexões de voz. Use o tom da sua voz para confortá-la. Dê-lhe muito contacto físico positivo. A criança não tem mais a possibilidade de ver as coisas a que estava acostumada, como por exemplo os olhares de aprovação que lhe davam segurança. Compense esta falta com contacto físico. Ajude-a a aprender através do tacto. Estimule a criança a apalpar e manusear objectos e peça-lhe para descrever o que está vivenciando. A criança pode repelir essa experiência táctil, portanto faça-o de modo cuidadoso.
Os médicos e o atendimento clínico Qualquer criança pode se sentir estressada ao passar por uma consulta médica ou ir a uma clínica. Pacientes cegos ou com deficiência visual não podem acompanhar a experiência à medida em que ela ocorre. Não esqueça de:
Peça ao médico que se lembre dessas orientações na hora em que ele for atender pré-escolares, cegos ou deficientes visuais. Sugira ao médico que chame a criança pelo nome, que explique o que irá acontecer e o porquê, com antecedência; que permita à criança manipular os instrumentos a serem usados, com uma explicação do modo como entrarão em contacto com seu corpo. Encoraje os pais a fazerem com antecedência um pequeno ensaio antes da consulta ao médico com a criança, quando for possível. Os pais podem brincar de tirar a medida, o peso, a temperatura, e checar os reflexos. Faça com que a criança inspire profundamente e ausculte o seu coração. Deixe a criança, brincar de médico, tendo um dos pais, outra criança ou uma boneca como paciente. Se, com antecedência você souber o tipo de exame que o médico fará na criança, explique-o aos seus pais e peça-lhes que transmitam a ela uma explanação sobre a rotina do mesmo. Seja sincero e garanta à criança que esses procedimentos são normais. Inclua brincadeiras de simular uma sala de espera por exemplo, com outros pacientes, telefones e recepcionistas.
Adaptado do livro: | ||
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