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A cegueira congénita e o desenvolvimento infantil Desenvolvimento Motor A - O Controle da Cabeça Na criança com visão, o desenvolvimento físico começa na cabeça e se estende
até os pés, e parte do tronco em direcção às extremidades. A criança,
portanto, deve desenvolver o equilíbrio da cabeça e o controle do tronco
antes de aprender a sentar. Então ela aprende a levantar, andar, etc. De
maneira geral, a criança obtém controle dos braços antes das pernas.
B - A Aproximação Permanência dos objectos é a consciência de que um objecto ou pessoa existe
mesmo quando fora do campo visual, auditivo ou táctil. Nos bebés com visão,
essa capacidade aparece em torno dos 3 ou 4 meses. Nos bebés cegos, tal
faculdade sofre um grande atraso, e só se desenvolve através de um trabalho
consciente de treinamento e estimulação. A percepção da permanência dos
objectos é essencial para o desenvolvimento da coordenação ouvido-mão (tentar
alcançar um objecto atraído por seu som), que se desenvolve na criança com
visão em torno dos 8 a 9 meses. Na criança cega essa faculdade não se
desenvolve até por volta dos 12 meses, ou mesmo mais tarde. Como a percepção
da permanência dos objectos é aprendida principalmente através do tacto, e
subsidiariamente através da audição, um bebé cego precisa de muita
estimulação táctil, especialmente em torno da 16ª semana, de maneira a
estimular movimentos de extensão dos braços e mãos. Algumas maneiras de se conseguir isso:
A partir da 16ª semana a criança começa a sentar. Motive-a a sentar, e faça jogos manuais quando ela estiver sentada (ex.: jogos que a façam bater palminhas ritmadamente).
C - Engatinhar e arrastar-se Uma criança cega geralmente não engatinhará ou se arrastará até que tenha
desenvolvido a percepção da permanência dos objectos ou a coordenação
ouvido-mão. Até então, não há nada motivando-a a se deslocar pelo espaço. D - Andar Uma criança cega pode começar a andar por volta da mesma idade que a criança
que vê, mas normalmente demora mais a andar. Um cercado é muitas vezes bom
para o bebé cego no início dessa fase, por dar a ele um espaço definido,
permitir a exploração controlada do espaço, abrigar os brinquedos e permitir
que ele se apóie para ficar de pé. No entanto, assim que a criança cega
estiver se levantando, deve-se deixar que ela explore uma área maior. E - Correr, pular e saltitar A maior parte de tais actividades motoras grossas são aprendidas através de estímulo visual e imitação. A criança cega precisa ser ensinada. É preciso fazer com que ela passe por essas actividades muitas vezes; ela deve ser encorajada a praticar esses movimentos de maneira independente. Isso é necessário para o desenvolvimento de um bom controle e coordenação muscular e corporal.
Desenvolvimento da linguagem A - A Fala Aprender a falar normalmente envolve a imitação visual da pessoa que fala. É, portanto, uma experiência bem diferente para a criança cega. A diferença nem sempre é óbvia antes da fala aparecer. Antes de serem usados para comunicação, os sons e palavras são brinquedos, e a fala é uma actividade que constitui-se num fim em si mesma. A criança cega pode balbuciar por muito tempo devido ao prazer oral que essa actividade proporciona. Por vezes, a fala ecolálica pode desenvolver-se e persistir por períodos maiores do que em relação à criança com visão. B - Comunicação As crianças com visão estão continuamente enriquecendo e expandindo seu
vocabulário, devido ao estímulo visual e à experiência. Seu vocabulário é
normalmente limitado a palavras concretas que ela pode experimentar através dos
sentidos. Desenvolvimento Sócio-Emocional Possíveis obstáculos que podem afectar a relação dos pais com a criança: 1. O choque, raiva, depressão e culpa, que os pais podem sentir ao tomar conhecimento da deficiência visual de seu filho, podem colocar os laços naturais sob grande tensão. 2. Se o bebé cego precisar ficar algum tempo em incubadora (ou necessitar de longa hospitalização após o nascimento), pode acontecer uma demora no começo do desenvolvimento da relação dos pais com a criança. 3. A passividade da criança cega pode inadvertidamente desencadear uma falta de estimulação por parte dos pais. Os bebés cegos, por não possuírem a visão como fonte de auto-motivação e auto-estímulo, podem se apresentar quietos e passivos. Eles normalmente não solicitam muita atenção, embora haja grande necessidade de estimulação e atenção suplementares para seu desenvolvimento. A passividade do bebé cego, associada ao potencial afastamento dos pais devido à depressão ou à falta de consciência do problema, pode levar a um ciclo de não-interacção que dificultará, ou mesmo impedirá, o desenvolvimento de uma relação saudável entre pais e filhos. 4. A dependência do bebé cego em relação aos pais para o atendimento de todas as suas necessidades, e para geração de estímulos, pode contribuir para uma atitude super protectora por parte destes. Os pais devem aprender a encorajar a independência em seu filho cego, especialmente quando a criança começa a se dirigir para seu ambiente e a explorá-lo. Tradução de: The Effects of Congenital Blindness on the Development of the Infant and Young Child - Community Based Program for Blind Children - Boston, Massachussets/EUA. Traduzido por André Oliveira. Extraído da revista Benjamin Constant n.º4 - Set. 1996 - Centro de Pesquisa, Documentação e Informação do Instituto Benjamin Constant (IBCENTRO/MEC). in http://www.deficientesvisuais.org.br/Artigo13.htm
Publicado por MJA [31Jan07]
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