Sobre a Deficiência Visual

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  ³  A Saúde dos Olhos
 

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Óculos de protecção
Traumatismos

  1. Prevenção de Acidentes Oculares
    - Instituto Penido Burnier
  2. Traumas Oculares - Instituto CEMA
  3. Lesões Oculares - Manual Merck

    
Fonte: www.electrosertec.pt/


Prevenção de Acidentes Oculares

Instituto Penido Burnier:
Dr. L. Queiroz Neto, Dr. A. Raad Camargo
e Dr. Mauro A. Chies

 

INTRODUÇÃO

O olho é um órgão do corpo humano responsável por um do sentidos mais importantes: a visão. Sabendo-se que a maior parte da nossa comunicação com o meio exterior é dada por este sentido (aproximadamente 85%), e que uma grande percentagem das lesões oculares geram defeitos visuais permanentes, torna-se fácil o entendimento da importância da prevenção de acidentes com os olhos e da manutenção da saúde dos mesmo.

IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO DE ACIDENTES OCULARES

A proteção dos olhos é uma necessidade urgente, e imperativa, não apenas pelo desejo de bem estar dos indivíduos, mas também por razões de ordens sócio-econômicas, como o aumento da produtividade. Com o aumento da industrialização e a diminuição das medidas profiláticas, os acidentes oculares de trabalho tem ocorrido com uma freqüência cada vez maior, sendo necessárias medidas eficazes para preveni-los e evitá-los. Tais acidentes são responsáveis, muitas vezes, por gerar incapacidade e limitações nos indivíduos, por provocarem cegueira. Nos Estados Unidos ocorrem uma média de 1.000 acidentes oculares de trabalho por dia, apesar de todo um esforço na sua prevenção.

Por ser a visão o sentido mais importante, os olhos são extremamente essenciais para o operário e lesões mínimas podem impossibilitá-lo para o trabalho. É importante ressaltar que aproximadamente 98% dos acidentes são evitáveis, ou seja, a cada 100 acidentes, apenas 2 deveriam acontecer. Historicamente, Remazzini em 1700 relatou a importância da prevenção de acidentes oculares, e também a dificuldade em realizá-la, devido principalmente à falta de compreensão e colaboração dos trabalhadores em adotarem medidas simples de precaução.

O ACIDENTE OCULAR DE TRABALHO E SUA PREVENÇÃO

Os acidentes com os olhos podem acontecer repentina e inesperadamente, e o indivíduo pode percebe-los imediatamente ou apenas horas mais tarde, quando surgirem, sintomas como irritação, hiperemia ou sensação de corpo estranho.

A inaptidão para o trabalho causada pelo comprometimento ocular é muito maior do que qualquer outro tipo de acidente uma vez que é em média de 15 semanas, quando não permanente, contra as 5 para aqueles que afetam outra partes do corpo. Os profissionais mais atingidos pelo trauma ocular são os das seguintes áreas: metalurgia, construção civil, marcenaria, mecânica, têxtil, cerâmica, industria química, industria de produtos alimentícios, transporte, pesca, artes gráficas e mineração. As lesões oculares mais encontradas são: corpos estranhos, úlceras traumáticas, queimaduras, contusões e lacerações e até perfurações do globo ocular. Os sintomas mais comuns são: dor, baixa da visão, ardor, lacrimejamento, fotofobia, vermelhidão, secreção ocular e sensação de corpo estranho nos olhos.

As causas dos acidentes de trabalho oculares podem ser:  1) físicas, responsáveis por 10% dos acidentes e 2) falta de supervisão, responsável por 88% dos acidentes. Entre as causas físicas destacamos a falta de proteção eficiente (como os óculos de proteção com lentes de segurança), trajes inadequados, má iluminação e ventilação do ambiente de trabalho e a má disposição ou a manutenção inadequada dos equipamentos.

Já no caso referente à supervisão, sabemos ser esta de extrema importância na prevenção de acidentes oculares, devendo no entanto ser constante, de modo a obrigar a totalidade dos funcionários. A educação é a principal arma de apoio devendo ser constante e duradoura. Há a necessidade de uma organização com plena autoridade de supervisão que se encarregue do assunto e faça cumprir a legislação já existente com referencia aos acidentes de trabalho. Cabe à supervisão, fiscalizar as condições de trabalho dos funcionários, promovendo mudanças para que estas tornem-se as mais adequadas possíveis. Assim, a verificação do estado de manutenção do maquinário bem como a avaliação das condições de trabalho que é submetido o funcionário é papel da supervisão, funções estas de extrema importância.

Quanto às condições de trabalho, deve-se avaliar: ventilação e iluminação do local, necessita de ar condicionado, aspiradores e exaustores, uso de óculos de proteção, horas de trabalho e descanso, entre outras. Correia Bastos aconselha um descanso de 10 minutos após a 3ª hora de trabalho, pois é após este período que os acidentes são mais comuns.

Com relação aos óculos de proteção, os mais utilizados são os com lentes de vidro temperado ou endurecido com 3 milímetros de espessura, que apresenta ótimas qualidades ópticas. Temos ainda lentes com vidros laminados coloridos e plásticos. Os óculos protetores protegem os olhos de areia, fagulhas, gases, pancadas, pó, vento e energia radiante. Para sua total eficiência, cada óculos de proteção deve ser modulado de acordo com a necessidade e função do trabalhador, e deve-se ter sempre à mão materiais de fácil limpeza dos mesmos. Não somente o trabalhador que faz o serviço deve estar com os óculos de proteção, mas também todos que o cercam. Infelizmente o uso dos óculos protetores não é muito difundido em nosso meio, devendo haver um maior número de campanhas educativas com o intuito de incentivar e conscientizar os trabalhadores da importância do seu uso rotineiro e habitual. O custo da prevenção não é alto, se levarmos em conta a economia proporcionada pela saúde do trabalhador e o seu baixo custo quando comparado com a incapacidade do mesmo para o trabalho.

ACIDENTES OCULARES DOMÉSTICOS

Muitos materiais e produtos são responsáveis por acidentes oculares domésticos. Dentre eles, podemos citar os produtos de limpeza (desinfetantes, detergentes, alvejantes, etc.), inseticidas, objectos pontiagudos (tesouras, facas, garfos, agulhas, etc.), objectos inflamáveis (álcool, etc.), produtos com temperaturas elevadas (fósforo, óleo para fritura, etc.), plantas domésticas que liberem substâncias (coroa-de-cristo, etc.), entre outros. Estes produtos provocam desde queimaduras até lesões perfurantes graves do globo ocular, devendo portanto ser evitado o seu manuseio sem os devidos cuidados preventivos. Um cuidado especial é o de se estocar tais produtos longe do alcance de crianças.

Por fim, cabe ainda lembrar a importância do uso do cinto de segurança nos veículos, pois pesquisas mundiais demonstram a eficácia deste objecto de segurança na medida em que diminui em uma percentagem alta o número de acidentes oculares graves, como as perfurações, que podem gerar perda da função visual. É importante lembrar que o uso do cinto de segurança é indispensável sempre que se entrar em um automóvel, as cidade ou na estrada; pesquisa demonstraram que um grande número de acidentes automobilísticos ocorrem em um raio de 1km próximo à residência da vítima.

PRIMEIROS SOCORROS OCULARES

A primeira e mais importante medida de socorro após um acidente ocular é a lavagem do mesmo com água limpa em abundância. A única excepção se faz às perfurações oculares, que devem ser encaminhadas imediatamente ao oftalmologista para os devidos reparos (quando possível). É importante evitar-se a compressão do globo ocular até a avaliação da extensão da lesão provocada pelo acidente. É sempre importante a avaliação do profissional especializado (oftalmologista) que possui os equipamentos necessários para um adequado exame do olho.

O uso de colírio anestesiado para alívio dos sintomas é um procedimento apenas aceito durante o exame do olho acometido e somente pelo profissional habilitado. Nunca deve ser usado inadvertidamente ou como rotina por pessoa não habilitada, uma vez que o seu abuso pode gerar problemas oculares graves como úlceras e cegueira, sendo inclusive necessária a proibição de sua comercialização sem prescrição médica oftalmológica.

 

Instituto Penido Burnier

http://www.saudevidaonline.com.br/artigo22.htm

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Traumas Oculares

Instituto CEMA de S. Paulo

Trauma Ocular é a grande causa de cegueira que pode ser evitada. O trauma ocular chega a ser reconhecido, nos Estados Unidos, como a segunda maior causa de cegueira. O Brasil carece de números a respeito, mas especialistas da área garantem que os traumatismos no olho também causam grandes estragos por aqui.

“Não se pode dizer que no Brasil o trauma ocular seja a segunda maior causa de cegueira porque outras desordens graves de saúde, que também causam a cegueira, vêm em primeiro lugar, como a diabetes, que, em outros países, é mais controlada”, diz o Coordenador-Chefe de Oftalmologia do CEMA, Hospital Especializado em Oftalmologia, Dr. Pedro José Monteiro Cardoso.

Explicando um pouco o assunto, trauma provém da palavra grega que significa ferida e traumatismo é um termo geral que abarca todas as lesões internas e externas ocasionadas por uma violência exterior. Quando o traumatismo é nos olhos, região de extrema sensibilidade em relação ao resto do corpo, as lesões deixam, quase sempre, uma seqüela que representa um déficit funcional.

Se a córnea é o órgão lesionado, por exemplo, se produz catarata. Se foi a retina que foi machucada, a visão fica definitivamente mais ou menos comprometida. Todos estes fatores caracterizam a gravidade das feridas oculares.

De acordo com o Dr. Pedro, os acidentes de trânsito, antes os maiores causadores de traumas oculares, já não causam mais tantos problemas graves, em virtude do uso de cinto de segurança ter se disseminado potencialmente. No entanto, é essencial que, mesmo quando se sai para um pequeno e conhecido percurso, se use o cinto, tendo em vista ser estes pequenos acidentes, nos arredores da casa do paciente, são os que causam os traumas oculares mais freqüentes socorridos nos pronto-socorros de hospitais oftalmológicos.

Em segundo lugar, os acidentes de trabalho, com inserção de corpos estranhos no olho, constam também como causa corriqueira dos traumas oculares. “Neste caso é importante que aqueles que trabalham com ferros, madeiras e vidros, como os mecânicos, marceneiros e vidraceiros e outros operários, utilizem equipamento de segurança, como os óculos protetores”, levanta o Dr. Pedro.

“Com as crianças, é preciso prestar atenção na altura das quinas de mesas e maçanetas, que costumam ficar exatamente na altura daqueles por volta dos 6 ou 7 anos”, continua, “ao abrir garrafas, cervejas, tampas e vidros, deve-se tomar o cuidado de virar o rosto”, adverte. Os idosos também costumam ser bastante atingidos pelos traumas oculares, tendo em vista que caem com mais freqüência.

Em queimaduras com químicos, o especialista recomenda lavar principalmente com água, se possível soro fisiológico, e nada mais – evitando-se, portanto, os colírios sugeridos pelos atendentes de farmácias, que podem piorar a situação.

“Em especial, deve-se ter muito cuidado com a soda cáustica e outros ácidos, que causam danos profundos aos olhos”, completa o Dr. Pedro. Ele explica que as queimaduras que causam lesões de córnea, que vão desde as mais leves até os leucomas, podem até levar à cegueira, embora o mais comum seja um embranquecimento da córnea com redução da visão.

As quedas, brigas e os esportes também estão na lista dos maiores causadores de traumas oculares. São os chamados “traumas fechados”, muitas vezes causados por um soco ou uma bolada. Não há perfuração do globo ocular, mas pode haver lesões, luxação, hemorragias internas, fratura da órbita e até mesmo deslocamento do olho, que exige uma cirurgia para voltar ao lugar. Estes traumas também podem levar à cegueira.

O Dr. Pedro, inclusive, ressalta a importância de que o paciente, quando não há risco de vida, seja prontamente atendido por um oftalmologista, e não por um clínico geral, que, muitas vezes, vai se preocupar em fazer uma sutura da pálpebra, por exemplo, e se esquecerá de resolver os traumas ocorridos no olho propriamente dito.

“Nos casos de perfuração, comuns nos acidentes automobilísticos, é importante que o paciente sofra uma intervenção cirúrgica, de preferência, logo nas primeiras seis horas após o trauma”, adverte, lembrando que esta é a melhor forma de garantir uma recuperação eficiente.

Segundo o Dr. Edgar Vicente Siso Villarroel, que publicou um estudo na Internet a respeito, na hora de se socorrer alguém que sofreu um trauma ocular, é necessário elaborar uma história clínica detalhada, com descrição minuciosa do acidente, circunstâncias relacionadas com o agente traumático e o tempo transcorrido antes de receber atenção médica, prestando atenção à agudeza visual como parâmetro de seguimento e prognóstico.

Ele ressalta que os raios X, a ecografia, a tomografia axial computadorizada e a ressonância magnética converteram-se, na modernidade, em técnicas diagnósticas de imagem insubstituíveis, possibilitando ao cirurgião um mapa anatômico detalhado.

Em sua pesquisa, realizada em Caracas, Trabalho de ascensão a categoria de professor assistente no quadro unviersitário, na Faculdade Médica de Caracas, de 1987-1988, com a análise de 100 casos) consta que a Sociedade Nacional de Prevenção da Cegueira dos Estados Unidos estima que a cada ano ocorrem mais de 2,4 milhões de lesões oculares. Consta, no mesmo trabalho, que, de acordo com a Sociedade Internacional de Prevenção à Cegueira, se considera que a metade dos casos de cegueira se poderia prevenir. A perda de um olho (cegueira monocular) geralmente ocorre na primeira década de vida e se deve a traumatismos oculares mais freqüentes em Inícions jovens, nas primeiras três décadas de vida, uma vez que estão mais freqüentemente expostos à situações de risco, seja em brigas, nos esportes ou em acidentes de trânsito.

A conclusão do estudo do Dr. Edgar aponta para a necessidade dos programas de prevenção governamentais e para a conscientização dos indivíduos, que tem em mãos as formas de se proteger dos traumas oculares. “A imensa maioria dos acidentes oftalmológicos podem ser prevenidas com aparatos relativamente econômicos”, diz. “Para que a proteção seja eficaz, em relação aos acidentes automobilísticos, recomenda-se o uso de parabrisas laminados, que dão um alto percentual de segurança ante qualquer acidente devido à sua alta resistência de penetração”.

Fontes:
Trabalho de ascensão à categoria de professor assistente no quadro universitário, na Faculdade Médica de Caracas, de 1987-1988, com a análise de 100 casos, pelo Dr. Edgar Vicente Siso Villarroel.

http://www.med.ucv.ve/oftalmologia/trauma/index.html

CEMA - Hospital Especializado em Oftalmologia
http://www.cemahospital.com.br

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Lesões Oculares

Manual Merck  

  • Lesões por impacto
  • Corpos Estranhos
  • Queimaduras


A estrutura da face e olhos tem a finalidade de proteger os olhos contra lesões. O globo ocular está localizado em uma cavidade circundada por uma borda óssea forte. As pálpebras podem fechar rapidamente para formar uma barreira contra objectos estranhos e o olho consegue suportar um impacto leve sem ser lesado. Apesar disso, o olho e as estruturas circunjacentes podem ser lesados por traumatismos, algumas vezes tão gravemente que a visão é perdida e, em raros casos, o olho deve ser removido. A maioria das lesões oculares são insiginificantes, mas devido ao grande hematoma produzido, elas freqüentemente parecem piores do que são. Qualquer lesão ocular deve ser examinada por um médico para se determinar a necessidade de tratamento e se a visão foi afetada de modo permanente.


Lesões por Impacto

Um impacto brusco força o olho para o interior de sua cavidade, podendo lesar as estruturas superficiais (pálpebras, conjuntiva, esclera, córnea e cristalino) e as estruturas localizadas na parte posterior do olho (retina e nervos). O impacto também pode causar fratura dos ossos localizados em torno do olho.


Sintomas

Nas primeiras 24 horas após uma lesão ocular, o sangue que extravasa para o interior da pele em torno do olho normalmente produz uma equimose, comumente denominada “olho preto”. Quando ocorre a ruptura de um vaso sangüíneo da superfície do olho, esta torna-se vermelha. Este sangramento comumente é de pequena intensidade. A lesão interna do olho é freqüentemente mais grave que a lesão superficial. O sangramento na câmara localizada na parte anterior do olho (hemorragia da câmara anterior, hifema traumático) é potencialmente grave e exige a atenção de um oftalmologista.

O sangramento recorrente e o aumento da pressão no interior do olho podem tornar a córnea manchada de sangue, o que pode reduzir a visão, como a catarata, e aumentar o risco de glaucoma durante o resto da vida. O sangue pode extravasar para o interior do olho, a íris (a parte colorida do olho) pode ser lacerada ou o cristalino pode ser deslocado. Podem ocorrer hemorragias na retina, a qual pode descolar da superfície subjacente, na parte posterior do olho. No início, o descolamento da retina pode gerar imagens com formas irregulares flutuantes ou flashes de luz e pode tornar a visão borrada, mas, a seguir, a visão reduz acentuadamente. Nas lesões graves, o globo ocular pode romper.


Tratamento

A aplicação de bolsa de gelo pode ajudar a reduzir o edema e a diminuir a dor de um hematoma. Em torno do segundo dia, a aplicação de compressas quentes podem ajudar o corpo a absorver o excesso de sangue acumulado. Quando a pele em torno do olho ou sobre a pálpebra sofre uma laceração (corte), a sutura pode ser necessária. Quando possível, devem ser realizados pontos de sutura próximos da borda palpebral por um cirurgião ocular, para se assegurar que não sejam produzidas deformidades que afetem o fechamento das pálpebras. Uma lesão que afeta os canais lacrimais deve ser reparada por um cirurgião ocular. Para uma laceração do olho, podem ser administrados medicamentos analgésicos juntamente com medicações que mantêm a pupila dilatada e que previnem a infecção.

Um protector metálico é freqüentemente utilizado para proteger o olho contra novas lesões. Uma lesão grave pode acarretar um certo grau de perda da visão mesmo após o tratamento cirúrgico. Qualquer indivíduo que apresente um sangramento interno no olho provocado por um traumatismo é aconselhado a manter repouso ao leito. Pode ser necessária a administração de um medicamento que reduza a pressão ocular (p.ex., acetazolamida). Às vezes, é administrada uma medicação adicional, o ácido aminocapróico, para reduzir o sangramento. Qualquer medicamento que contém aspirina deve ser evitado, pois ela pode aumentar o sangramento interno no olho. Os indivíduos que fazem uso de warfarin ou de heparina para evitar a coagulação sangüínea ou que utilizam a aspirina por qualquer razão devem informar o médico imediatamente. Em raros casos, um sangramento recorrente exige a drenagem cirúrgica que é realizada por um oftalmologista.


Corpos Estranhos

As lesões oculares mais comuns são as da esclera, da córnea e da conjuntiva (revestimento das pálpebras), causadas por corpos estranhos. Embora a maioria dessas lesões sejam de pouca importância, algumas (p.ex., perfuração da córnea ou infecção secundária a um corte ou a um arranhão da córnea) podem ser graves. A fonte mais comum de lesões superficiais talves sejam as lentes de contacto.

As lentes mal adaptadas, o uso excessivo de lentes de contacto, a preservação das lentes durante o sono, as lentes esterilizadas de forma inadequada e a remoção forçada ou inadequada das lentes podem arranhar a superfície do olho. Outras causas de lesões da superfície do olho incluem as partículas de vidro, as partículas transportadas pelo vento, galhos de árvore e resíduos que caem. Em determinadas ocupações, os trabalhadores podem estar rodeados por pequenas partículas que flutuam ao seu redor. Estes indivíduos devem utilizar óculos protetores.


Sintomas

Qualquer lesão da superfície do olho geralmente causa dor e uma sensação de que há algo dentro do olho. A lesão também pode produzir sensibilidade à luz, hiperemia, sangramento dos vasos sangüíneos superficiais do olho ou edema do olho e da pálpebra. A visão pode tornar-se borrada.


Tratamento

Um corpo estranho no olho deve ser removido. Colírios especiais contendo fluoresceína (um corante) tornam o objecto mais visível e revelam qualquer abrasão superficial. Colírios anestésicos podem ser utilizados para anestesiar a superfície do olho. Com o auxílio de um instrumento de iluminação especial, o médico realiza a remoção do corpo estranho. Freqüentemente, ele pode ser retirado da superfície com o auxílio de um cotonete estéril umedecido. Algumas vezes, o corpo estranho pode ser eliminado através da lavagem do olho com água estéril.

Quando o corpo estranho causa uma pequena abrasão superficial da córnea, uma pomada contendo antibiótico aplicada durante alguns dias pode ser suficiente. As abrasões maiores da córnea exigem um tratamento adicional. A pupila é mantida dilatada com medicamentos; antibióticos são instilados e um curativo é aplicado sobre o olho para mantê-lo fechado. Felizmente, as células superficiais do olho regeneram-se rapidamente. Sob um curativo, mesmo as grandes abrasões tendem a cicatrizar em 1 a 3 dias. Quando um corpo estranho perfura as camadas mais profundas do olho, um oftalmologista deve ser imediatamente consultado para a instituição do tratamento de emergência.

Queimaduras

A exposição ao calor intenso ou à substâncias químicas faz com que as pálpebras se fechem rapidamente em uma reacção reflexa para proteger os olhos contra queimaduras. Conseqüentemente, apenas as pálpebras podem ser queimadas, embora o calor intenso também possa queimar o olho. A gravidade da lesão, a intensidade da dor e o aspecto das pálpebras dependem da profundidade da queimadura.

As queimaduras químicas podem ocorrer quando uma substância irritante penetra no olho. Mesmo as substâncias levemente irritantes podem causar uma dor importante e lesão ocular. Como a dor é muito intensa, o indivíduo tende a manter as pálpebras fechadas e, conseqüentemente, mantém a substância irritante em contacto com o olho durante um período prolongado.


Tratamento

Para tratar as queimaduras palpebrais, o profissional da saúde lava a área com uma solução estéril e, a seguir, aplica uma pomada antibiótica ou uma gaze embebida com vaselina. A área tratada é coberta com curativos estéreis mantidos com uma atadura plástica ou com uma malha para facilitar a cicatrização da queimadura. A queimadura química do olho é tratada com a lavagem imediata e abundante do olho com água. Este tratamento deve ser iniciado inclusive antes da chegada da equipe de socorro treinada. Embora o indivíduo apresente dificuldade para manter o olho lesado aberto durante este tratamento doloroso, a remoção rápida da substância química é essencial.

O médico pode iniciar o tratamento pingando um colírio anestésico e medicações que dilatam a pupila. Os antibióticos normalmente são utilizados sob a forma de pomadas. Analgésicos orais também podem ser necessários. As queimaduras graves podem exigir a intervenção de um oftalmologista, para preservar a visão e evitar complicações graves (p.ex., lesão da íris, perfuração do olho e deformidades palpebrais). Entretanto, mesmo com o tratamento mais adequado, as queimaduras químicas da córnea podem produzir cicatrizes, perfuração do olho e cegueira.

Manual Merck

http://www.msdbrazil.com/msd43/m_manual/
mm_sec20_218.htm

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