Sobre a Deficiência Visual

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  ³  A Saúde dos Olhos
 

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Erros de Refracção

 Olho normal      Olho míope
Fonte: http://www.clinicafaro.com/info_miopia.html

  1. Visão e Defeitos Visuais - Instituto Penido Burnier
  2. Distúrbios Refractivos - Manual Merck

 

Visão e Defeitos Visuais

Instituto Penido Burnier:
Dr. L. Queiroz Neto, Dr. A. Raad Camargo
e Dr. Mauro A. Chies

 

BREVE ANATOMIA DO OLHO

O olho humano é constituído por delicadas estruturas. Na sua parte anterior, temos a córnea, que é um tecido transparente que recobre a porção colorida dos olhos (denominada íris). Pupila é o nome dado ao orifício da íris (conhecida como "menina dos olhos"). O cristalino é uma lente natural que possuímos dentro dos nossos olhos, situado atrás da íris. Banhando estas estruturas há um líquido denominado humor aquoso.


A porção posterior do olho é constituída basicamente pela retina, que é um tecido que abriga as células responsáveis pela visão e o nervo óptico, que conduz as informações visuais para serem interpretadas no cérebro. Esta porção posterior é preenchida por um outro líquido, gelatinoso, chamado humor vítreo. O tecido branco que envolve todo o globo ocular é chamado esclera.

A VISÃO E OS DEFEITOS VISUAIS

O mecanismo visual pode ser resumido da seguinte forma: os raios luminosos trazendo uma imagem penetram no olho através da pupila e são focalizados na retina pela córnea e pelo cristalino. Esta imagem formada na retina é levada ao cérebro onde é realizada. Os principais defeitos visuais são: miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.

Na miopia, a imagem formada é embaçada (fora de foco) devido ao fato do globo ocular ser geralmente maior que o normal. Com isso, a imagem forma-se antes de atingir a retina. Este defeito visual tende a aumentar com o crescimento corporal, uma vez que o olho também crescerá. É corrigido por lentes divergentes que irão focalizar a imagem na retina.


Na hipermetropia, temos também uma imagem desfocalizada, mas neste caso, deve-se ao fato do olho ser menor que o normal e a imagem é formada atrás da retina, e não sobre ela como seria o normal. Este defeito visual tende a diminuir com o crescimento corporal pelo aumento do globo ocular. É corrigido por lentes convergentes com o mesmo objectivo de focalizar a imagem nítida na retina.


O astigmatismo é um defeito da curvatura da córnea, que ao invés de esférica é ovalada, fato que gera uma imagem distorcida. É corrigido por lentes cilíndricas mais ou menos.

A presbiopia é também conhecida como "vista cansada". É um defeito visual que surge em 100% dos indivíduos com mais de 40 anos de idade causando dificuldade para a visão de perto (como a leitura, a manipulação de objectos, trabalhos manuais, etc.)

Todos estes defeitos visuais são facilmente corrigidos com lentes corretamente receitadas pelo oftalmologista.

Sabemos a importância da visão perfeita para a vida e para o trabalho, mas poucos de nós tem consciência que vêem mal. Um bom exemplo disto foi um trabalho realizado na França, no qual em cerca de 180.000 pessoas examinadas ao acaso, 50% não viam bem e, destes, a metade não tinha consciência de que viam mal. Além disso, órgãos franceses como a Associação Nacional para Defesa da Vista, chegaram a conclusão que, em cada 4 acidentes na estrada, 1 se devia a baixa visual; em cada 10 acidentes de trabalho, 1 se devia também a baixa visual , no campo escolar, em cada 5 estudantes, 1 era mau aluno porque via mal.

Instituto Penido Burnier

http://www.saudevidaonline.com.br/artigo22.htm

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Distúrbios Refractivos

Manual Merck

Normalmente, o olho cria uma imagem nítida porque a córnea e o cristalino desviam (refratam) os raios luminosos que chegam ao olho para centralizá-los sobre a retina. A forma da córnea é fixa, mas o cristalino muda de forma para focalizar objectos localizados a distâncias variadas do olho. A forma do globo ocular também ajuda a criar uma imagem nítida sobre a retina. Os indivíduos hipermétropes apresentam dificuldade para ver objectos próximos e os míopes apresentam dificuldade para focalizar objectos distantes.

Quando os indivíduos atingem os 40 anos de idade, o cristalino torna-se cada vez mais rígido e não consegue focalizar os objectos próximos, uma condição denominada presbiopia. Quando um indivíduo é submetido à remoção do cristalino para tratar uma catarata, mas não recebe um implante de cristalino, os objectos parecerão borrados, qualquer que seja a distância. A ausência de cristalino é denominada afacia. Uma córnea com forma imperfeita pode causar distorção visual (astigmatismo).

Todo mundo deveria ser submetido a exames oftalmológicos regulares realizados por seu médico, por um oftalmologista ou por um optometrista. Os olhos são examinados em conjunto e individualmente. O exame oftalmológico comumente inclui avaliações não relacionadas aos erros de refração (p.ex., tese de capacidade de distinguir cores).

Tratamento

O tratamento habitual para os erros de refração consiste no uso de lentes corretivas. Contudo, certos procedimentos cirúrgicos e tratamentos a laser que alteram a forma da córnea também podem corrigi-los.

Lentes Corretivas

Os erros de refração podem ser corrigidos com lentes de vidro ou de plástico montadas em uma estrutura (óculos) ou com pequenas peças de plástico aplicadas directamente sobre a córnea (lentes de contacto). Para a maioria dos indivíduos, a escolha é uma questão de aparência, conveniência e conforto. As lentes plásticas para óculos são mais leves, mas tendem a riscar; as de vidro são mais duráveis, mas apresentam maior risco de quebrar. Ambas podem ser coloridas ou tratadas com uma substância química que as escurece automaticamente frente à exposição à luz.

As lentes também podem ser revestidas a fim de reduzir a quantidade de raios ultravioleta potencialmente lesivos que chegam aos olhos. As bifocais contêm duas lentes, uma superior que corrige a miopia e uma inferior que corrige a hipermetropia. Muitos indivíduos consideram as lentes de contacto mais atraentes que os óculos e alguns acham que a visão com elas é mais natural. No entanto, as lentes de contacto exigem mais cuidados que os óculos, podem causar lesões oculares e, em alguns indivíduos, não conseguem corrigir a visão de modo tão adequado quanto os óculos.

Os indivíduos idosos e aqueles com artrite podem apresentar problemas para manipular lentes de contacto e colocá-las nos olhos. As lentes de contacto duras (rígidas) são discos finos feitos de plástico rígido. Existem lentes permeáveis ao ar, feitas de silicone e outros compostos. Elas são rígidas mas permitem um melhor aporte de oxigênio à córnea. As lentes de contacto macias hidrófilas, feitas de plástico flexível, são maiores e recobrem toda a córnea. A maioria das lentes macias não hidrófilas são feitas de silicone. Os indivíduos idosos geralmente acham que as lentes de contacto moles são de manuseio mais fácil pelo fato de serem maiores. A probabilidade de queda ou de retenção de poeira e de outras partículas sob as mesmas também é menor.

Além disso, as lentes de contacto moles habitualmente são confortáveis desde a primeira colocação. Entretanto, esse tipo de lente exige um cuidado escrupuloso. Os indivíduos devem utilizar o primeiro par de lentes de contacto rígida durante até uma semana antes de se sentirem confortáveis durante um período prolongado. As lentes são usadas diariamente, durante um número de horas cada vez maior. Embora as lentes possam causar desconforto no início, elas não devem causar dor. A dor indica uma má adaptação. A maioria das lentes de contacto devem der retiradas e limpas diariamente. Alternativamente, o indivíduo pode utilizar lentes descartáveis.

Algumas são trocadas semanalmente ou a cada duas semanas e outras são trocadas diariamente. O uso de lentes descartáveis dispensa a necessidade de limpeza e de armazenamento das lentes, pois cada lente é substituída regularmente por uma nova. O uso de qualquer tipo de lente de contacto apresenta um risco de complicações graves e dolorosas, inclusive a ocorrência de úlcera de córnea em decorrência de uma infecção, a qual pode causar perda da visão. Os riscos podem muito menores se o indivíduo seguir as instruções do fabricante e do oftalmologista e usar o bom senso. Todas as lentes de contacto reutilizáveis devem ser esterilizadas e desinfetadas.

A limpeza com enzimas não substitui a esterilização nem a desinfecção. O risco de infecções graves aumenta com a limpeza de lentes de contacto com solução salina caseira, saliva, água corrente ou destilada e com a prática da natação utilizando lentes de contacto. O indivíduo não deve usar lentes de contacto moles (sejam as de uso diário, de uso prolongado ou descartáveis) durante a noite, exceto quando existe uma razão especial para fazê-lo. Quando o indivíduo sente um desconforto, lacrimeja excessivamente, apresenta alterações da visão ou seus olhos tornam-se vermelhos, as lentes devem ser retiradas imediatamente. Quando os sintomas não desaparecem rapidamente, ele deve entrar em contacto com o oftalmologista.

Cirurgia e Laserterapia

Para corrigir a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, podem ser utilizados certos procedimentos cirúrgicos e com laser (cirurgia refrativa). No entanto, esses procedimentos geralmente não corrigem a visão tão bem quanto os óculos e as lentes de contacto. Antes de decidir-se por um desses procedimentos, o indivíduo deve discutir o assunto seriamente com um oftalmologista e deve considerar cuidadosamente os riscos e os benefícios. Os melhores candidatos à cirurgia refrativa são os indivíduos cuja visão não pode ser corrigida por óculos ou por lentes de contacto e aqueles que não toleram o seu uso. No entanto, muitos optam por essa cirurgia por conveniência e por motivos estéticos e muitos sentem-se satisfeitos com os resultados.

Compreendendo a Refração

Estas ilustrações mostram como a córnea e o cristalino centram a luz sobre a retina quando a visão é normal, anormal e corrigida por óculos ou lentes de contacto.

 

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Ceratotomia radial e astigmática:

A ceratotomia é um procedimento cirúrgico utilizado para tratar a miopia e o astigmatismo. Na ceratotomia radial, o cirurgião realiza pequenas incisões radiais (em aros de roda de carroça) na córnea. Normalmente, ele realiza 4 a 8 incisões. Na ceratotomia astigmática (utilizada para corrigir o astigmatismo de origem natural e o astigmatismo decorrente de uma cirurgia de catarata ou de um transplante de córnea), o cirurgião realiza incisões perpendiculares. Como a córnea poussui apenas 1/2 milímetro de espessura, a profundidade das incisões deve ser determinada com precisão.

O cirurgião determina onde cada incisão deve ser realizada após analisar a forma da córnea e a acuidade visual do indivíduo. A cirurgia aplana a córnea, de modo que ela consiga concentrar melhor a luz que incide sobre a retina. Esta alteração de forma melhora a visão e aproximadamente 90% dos indivíduos submetidos à cirurgia conseguem ver de modo satisfatório e conduzir veículos sem óculos ou lentes de contacto. Algumas vezes é necessária a realização de um segundo ou de um terceiro procedimento de retoque para melhorar a visão suficientemente.

Nenhum procedimento cirúrgico é isento de riscos, mas os riscos da ceratotomia radial e astigmática são pequenos. Os principais riscos são a correção excessiva e a correção insuficiente da visão. Como a correção excessiva normalmente não pode ser tratada de modo eficaz, o cirurgião tenta evitar realizar uma correção excessiva em uma só sessão. Como já foi mencionado, a correção insuficiente pode ser tratada através de um segundo ou de um terceiro procedimento de retoque. A complicação mais grave é a infecção, a qual ocorre em uma porcentagem muito inferior a 1% dos casos. Quando ela ocorre, deve ser tratada com antibióticos.

Ceratectomia Fotorrefrativa:

Este procedimento cirúrgico a laser volta a dar forma à córnea. A ceratectomia fotorrefrativa utiliza um feixe de luz altamente concentrado para remover pequenas quantidades da córnea e, conseqüentemente, altera a sua forma. Como nos procedimentos cirúrgicos, a alteração da forma da córnea concentra mais satisfatoriamente a luz sobre a retina e melhora a visão. Embora a cirurgia a laser pareça promissora para corrigir a visão deficiente, ela apresenta alguns problemas. Por exemplo, o período de recuperação é mais prolongado e mais doloroso que o dos outros procedimentos cirúrgicos refrativos. Contudo, os riscos são similares aos da ceratotomia radial e da ceratotomia astigmática.


http://www.msd-brazil.com/msd43/m_manual/mm_sec20_217.htm

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