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³ A Saúde dos Olhos |
Doenças degenerativas da retina - DDR Grupo Retina Rio [O Grupo Retina Rio - Brasil - foi formado para dar apoio e informação às pessoas com doenças degenerativas da retina e para mobilizar o meio médico e a opinião pública em torno do rápido avanço científico buscando a cura dessas doenças.]
A retina é um tecido sensível à luz, na parte posterior do olho, onde começa o processo de visão. Ela age como se fôsse o filme de uma câmera fotográfica, recebendo e processando tudo o que vemos. Ela se divide em duas camadas: uma fina, chamada de epitélio pigmentar, e uma mais encorpada, constituida de várias camadas de células, chamada de retina neural. Nela se encontram células denominadas fotoreceptores, porque convertem a luz em impulsos elétricos que levam mensagens ao cérebro, onde o processo da visão realmente ocorre. Esse processo que vai das células fotoreceptoras ao cérebro é chamado de transducção visual. Os fotoreceptores podem ser de dois tipos: cones e bastonetes. As células chamadas BASTONETES são responsáveis pela visão periférica e visão noturna. Os CONES concentram-se na mácula, o centro da retina e são responsáveis pela visão central e pela visão de cores. Quando essas células se degeneram, perdem a capacidade de transmitir imagens ao cérebro. 1. Degeneração macular - DM Dentre as doenças degenerativas da retina encontram-se as que afetam uma parte do tecido retiniano responsável pela visão central e a visão de detalhes, a MÁCULA, e que têm o nome genérico de degenerações maculares. A mácula é encontrada no centro da retina, e é responsável pela visão central , que serve para a leitura, para a visão de cores e de detalhes. Pessoas com degeneração macular vão perdendo a visão central, enxergando como se houvesse uma mancha no centro da imagem focada, o que dificulta a leitura. Sua visão periférica (visão lateral) contudo fica preservada. A redução da acuidade visual provocada pela degeneração macular não pode ser corrigida através de lentes. 1.1 Degeneração macular ligada à idade (DMI) Grande parte das degenerações maculares aparece em pessoas com mais de 65 anos. São as degenerações maculares ligadas à idade (DMI), a causa mais comum da perda de visão nas pessoas idosas. O ritmo e a extensão da perda da visão central variam de acordo com o tipo de DMI. As degenerações maculares ligadas à idade (DMI) podem ser do tipo seco ou exsudativo. A DMI do tipo seco ou não-exsudativa corresponde a quase 90% dos casos. Ela produz depósitos de cor amarelada chamados drúsias, que se acumulam no epitélio pigmentar da retina, o tecido que fica sob a mácula. Os depósitos de drúsias são resultantes de produtos expelidos das células fotoreceptoras. Por razões ainda desconhecidas, o epitélio pigmentar da retina perde a capacidade de processar os rejeitos vindos das células fotoreceptoras, os quais se acumulam como drúsias no epitélio pigmentar, interferindo no funcionamento dos fotoreceptores da mácula, gerando degeneração progressiva dessas células. A DMI do tipo exsudativo corresponde a 10% dos casos de DMI. Nesse tipo de distrofia da retina, se dá uma formação anormal de vasos sanguíneos, que crescem sob a mácula. Esses vasos deixam vazar sangue e fluidos na mácula, danificando as células fotoreceptoras. Esse tipo de DMI tende a progredir rapidamente e pode causar danos severos à visão central. O diagnóstico precoce da DMI do tipo exsudativo é importante porque já há tratamentos preventivos, que buscam desacelerar o ritmo da doença. As causas desses dois tipos de DMI não são bem conhecidas, mas estão em andamento pesquisas que avaliam o impacto da herança genética, da alimentação (dietas ricas em gordura e colesterol), da hipertensão e das doenças cardiovasculares sobre o surgimento da DMI. Dentre os fatores de risco que estão sendo testados, dois mostraram ter impacto sobre o aparecimento e o desenvolvimento da DMI: a luz solar e o fumo. Daí que os médicos hoje estejam recomendando o uso de lentes especiais de proteção solar e que se evite o fumo. Estudos têm mostrado que o factor hereditário explica uma parte das DMI, mas ainda não se tem muita informação sobre a proporção do peso da genética e do tipo de hereditariedade. Testes de alimentação feitos com uma população de portadores de DMI tem indicado que uma dieta rica em verduras, especialmente folhas verdes, pode ser benéfica para evitar o desenvolvimento da DMI. Suplementos nutritivos como a zeaxantina e a luteina também estão sendo testados para a DMI. Ainda que as pesquisas não tenham indicado um benefício comprovado dos antioxidantes para evitar a DMI ou amenizar sua progressão, já se encontram no mercado suplementos de antioxidantes para a DMI. Os cientistas alertam para que se evite doses maciças de medicamentos antioxidantes, uma vez que estudos já atestaram efeitos danosos das grandes doses sobre pacientes com DMI. Um pouco à frente, na secção "Tratamentos" , poderão ser encontradas mais informações sobre os recentes resultados de tratamento para DMI. 1.2. Doença de Stargardt e de Best Existem também doenças que afetam, através de herança genética, jovens e crianças e que têm um carácter progressivo. É o caso da doença de Stargardt e da doença de Best, formas mais comuns de degeneração macular juvenil de carácter hereditário. Elas levam à perda progressiva da visão central e atrofia bilateral progressiva do epitélio pigmentar na área da mácula. Existe também uma doença retiniana semelhante, o fundus flavimaculatus (FFM), que aparece na idade adulta e tem progressão lenta. A doença de stargardt é a forma mais comum de degeneração macular juvenil. Nela ocorre a perda progressiva das celulas fotoreceptoras da mácula, gerando a redução da visão central, com a preservação da visão periférica. A progressão da stargardt varia de pessoa a pessoa podendo se agravar após os 50 anos. Ela quase sempre é herdada sob a forma autossômica recessiva. Ambos os pais, chamados portadores do gen, transmitem a doença, ainda que eles próprios não sejam afetados, porque têm apenas uma cópia do gen ( é necessário que o gen forme par para que a doença se desenvolva). O risco de uma criança ter stargardt quando os pais são portadores do gene (e não da doença) são de 25% em cada gestação. Nesse caso a criança herda uma cópia do gene da stargardt de cada um dos pais. Alguns dos genes causadores da stargardt foram localizados. Suas mutações agora estão sendo estudadas a fim de que se possa desenvolver uma terapia genética para a doença. Estudos visando chegar ao tratamento da stargardt apontaram para o benefício de uma dieta rica em folhas verdes e para a ingestão de um suplemento nutritivo chamado luteína ( 40mg.ao dia para adultos). Recentemente uma pesquisa com animais comprovou que o uso de lentes de proteção sempre que houver luz solar é crucial para impedir o desenvolvimento da doença. A doença de Best é uma distrofia da mácula, que costuma aparecer na infância ou adolescência. Surge como um cisto amarelo que se forma sob o epitélio pigmentar da retina, uma camada que fica abaixo da mácula. Por vezes o cisto se rompe e espalha o líquido e os depósitos amarelos na mácula. Quando ocorre a ruptura do cisto, a mácula e o epitélio pigmentar da retina sofrem um processo de atrofia, que leva à perda da visão central. Diversamente de outras doenças degenerativas da retina, a doença de Best nem sempre afeta os dois olhos simultaneamente. O padrão de herança dessa doença é do tipo autossômico dominante. Uma pessoa afetada pela doença de Best tem um gen dessa doença e um outro gen normal. Se tiver um filho com uma pessoa não afetada pode ter 50% de chance de passar a doença para a criança. 2. Retinose Pigmentar - RP Outro grupo de doenças da retina, de carácter degenerativo e hereditário tem o nome de retinose pigmentar (RP). É importante entender que a retinose pigmentar não constitui uma doença, e sim um grupo de doenças, causadas por inúmeras mutações genéticas, cujo traço comum é a degeneração gradativa das células da retina sensíveis à luz. No futuro, estima-se que serão classificados mais de cem tipos de RP. Pessoas que são afetadas pela RP sofrem um processo de degeneração dos cones e bastonetes da retina, o que as leva a uma perda de visão noturna e a ter dificuldade de enxergar quando há pouca luminosidade ou claridade excessiva. Perdem também progressivamente a visão periférica, e o estreitamento do seu campo visual pode levar à visão tubular; porisso comumente os portadores da doença tropeçam em objectos no seu caminho ou esbarraram em pessos e em objectos fora de seu campo visual. O ritmo em que se dá a perda do campo visual varia de pessoa a pessoa, o que se explica em parte pela herança genética e em parte por fatores ambientais (stress, fumo, alimentação, medicamentos). Ao que parece a RP de tipo dominante tende a se manifestar de forma mais branda que alguns tipos de RP recessiva. Muitos detêm uma parcela de visão até os 50, às vezes 70 anos enquanto outros a perdem antes. Os sintomas da retinose pigmentar começam a aparecer em geral entre os 10 e os 30 anos. Os casos mais comuns de RP aparecem na idade adulta. Existem entretanto crianças que desenvolvem estas doenças no início da infância. Porisso já se faz uma classificação do tipo de RP a partir da idade em que a doença se manifestou: tem-se assim a RP de idade adulta, a RP juvenil e a Rp congênita. Esta última aparece no recém-nascido, levando a criança a ter pouca visão e nenhuma resposta no teste de eletroretinograma. A RP congênita é chamada de Amaurosis Congênita de Leber. Os traços que levam um médico a diagnosticar a RP são em geral os pigmentos escuros na retina e os sinais de atrofia (degeneração) do tecido retiniano e dos vasos sanguíneos. 3. Retinose Pigmentar, síndromes e doenças associadas Na maioria dos casos de RP, apenas a visão é atingida. Contudo há alguns tipos de doenças, conhecidas como síndromes, que reúnem à degeneração da retina outras disfunções que aparecem desde a infância da pessoa afetada e que como a RP também têm herança genética. São muitas as síndromes, e enumeramos aqui apenas algumas: Síndrome de Usher (USH), que envolve uma série de doenças que têm em comum a presença de RP e variados graus de surdez. Na Usher de tipo 1 a surdez profunda é congênita, enquanto a RP aparece na infância ou juventude. A pessoa afetada sofre problemas de equilíbrio. Na Usher de tipo 2 a surdez também é congênita, mas tende a ser moderada, podendo ser superada com o uso de aparelhos auditivos. A RP aparece na juventude. Na Usher de tipo 3 a pessoa nasce com visão e audição normais, e a surdez e a RP aparecem posteriormente e têm carácter progressivo. A perda auditiva nessa síndrome se deve a problemas com as células nervosas da cóclea, situada na parte interna da orelha e que é responsável pela transmissão do som ao cérebro. O mesmo gen que produz alterações na cóclea afeta também as células fotoreceptoras da retina, levando à RP. Até o momento não há tratamento que detenha a degeneração da retina ou restaure a audição de uma pessoa afetada pela síndrome. Em alguns casos um implante de cóclea mostrou resultados positivos em pessoas com surdez profunda. Em muitos casos de surdez moderada, o uso de aparelhos de audição pode suprir a dificuldade auditiva. A síndrome de Usher é transmitida através de herança genética autossômica recessiva. Cada um dos pais de uma pessoa com Usher é portador de um gen normal e um gen da Usher. Quando os gens defeituosos de cada um dos pais se combinam numa criança ela pode desenvolver a síndrome. Até o momento há nove gens localizados, cujas mutações produzem a síndrome de Usher. Dois deles foram isolados e clonados. A síndrome de Usher pode ser confundida com outras doenças que deixam sequelas na função auditiva, como a rubéola. Síndrome de Laurence-Moon Bardet-Biedl (LMBB) - Na verdade trata-se de duas síndromes semelhantes e fáceis de serem confundidas num diagnostico clínico. A LMBB é uma doença complexa, que afeta várias partes do corpo, incluindo a retina. Ela aparece na infância, quando a retinose pigmentar é diagnosticada. Outros sintomas ajudam a definir essa síndrome: polidactilia (dedos extras nas mãos ou nos pés) obesidade, problemas renais. Cerca de metade dos que são afetados por essa síndrome apresentam dificuldades de aprendizado e de desenvolvimento emocional podendo apresentar em alguns casos traços de atraso mental. Os afetados pela síndrome de Laurence Moon apresentam problemas neurológicos e só raramente apresentam polidactilia. Os casos de LM são extremamente raros. Mais comuns são os casos de Bardet Biedl, onde a polidactilia é um traço definidor da síndrome. A síndrome LMBB tem um padrão de herança do tipo autossômico recessivo. Ambos os pais nesse caso são portadores do gen da LMBB ao lado de um gen normal, o que faz com que a doença não se manifeste nos pais, mas seja transmitida aos filhos. Em cada gestação, os pais portadores do gen LMBB terão 25% de chances de terem um filho com LMBB. Para isso é necessário que os gens da LMBB dos pais se combinem na criança formando um par de gens com mutações anormais. Desordens mitocondriais: são diversos os tipos dessas desordens, que envolvem uma série de problemas além da RP, que podem aparecer juntos ou isolados: estatura baixa, diabetes, surdez, nistagma (movimentação contínua do olho), problemas cardíacos. 4. Coroideremia Outra doença degenerativa da retina associada à RP é a coroideremia. Ela é uma doença hereditária que causa a perda progressiva da visão em função da degeneração da coroide e da retina. Também chamada de distrofia tapetocoroidal ela decorre da degeneração de várias camadas de células no interior do olho, que formam a coroide, o epitelio pigmentar da retina e a retina. A coroide é formada por vasos sanguineos e se localiza entre a retina e a esclera, a parte branca e externa do olho. Os vasos da coroide levam oxigênio e nutrientes para as células do epitelio pigmentar e para as celulas fotoreceptoras. A coroideremia tem inicio com a deterioração da coroide e do epitelio pigmentar. Depois ela atinge os fotoreceptores, que também se degeneram, levando à perda da visão. A coroideremia ocorre quase sempre nos Inícions. Inicia-se na infância, quando aparece o sintoma da perda da visão noturna. Na medida em que a doença progride, há perda da visão periférica e posteriormente da visão central. O ritmo de progressão da coroideremia varia de pessoa a pessoa. A herança dessa doença se dá pelo cromossoma X, isto é o gen que leva à doença está localizado no cromossoma X. As mulheres são portadoras de dois cromossomas X , um dos quais pode conter o gen causador da doença. Como o outro cromossoma X não sofreu mutação genética, as mulheres não são afetadas, mas transmitem a doença para os filhos do sexo masculino, podendo passar a herança genética ou não para as filhas. Os Inícions afetados pela coroideremia, sempre passam o cromossoma X com a doença para as filhas e não transmitem a doença para os filhos Inícions, porque o pai sempre passa o cromossoma Y (não afetado) para o filho Iníciom. 5. Desordens metabólicas com degeneração da retina: Doença de Refsum e Atrofia girata A doença de Refsum e a atrofia girata são desordens metabólicas que envolvem entre outros problemas a degeneração da retina. São tidas como doenças raras e podem ser diagnosticadas na infância. A RP pode surgir posteriormente. A doença de Refsum é uma doença genética de tipo autossômico recessivo, na qual o organismo se torna incapar de metabolizar o ácido fitânico, que se acumula no sangue e nos tecidos. Ela compromete as células retinianas, podendo haver perda da audição na idade adulta, problemas cardíacos, problemas neurológicos entre outros. Pacientes com Refsum devem se submenter a uma dieta alimentar para evitar os problemas metabólicos. A atrofia girata é também uma doença autossômica recessiva que também quebra o metabolismo do aminoácido no organismo. A doença inibe o metabolismo de um aminoácido conhecido como ornitina. Altos índices de ornitina no organismo são prejudiciais podendo causar cegueira noturna, miopia e catarata.
Quantos são os afectados? Calcula-se que nos Estados Unidos cerca de 400.000 pessoas possuem degenerações de retina de carácter hereditário. Estima-se que uma em cada 80 pessoas na população tenha o gene de alguma doença degenerativa da retina. No Brasil não há ainda um levantamento das pessoas afetadas por DDR. Na medida em que a cada dia novas doenças tidas como não genéticas vêem se agregar ao quadro das doenças hereditárias (exemplos recentes são a degeneração macular ligada à idade e o albinismo), é provável que o número de portadores genéticos seja ainda maior. Diagnóstico das DDR O diagnóstico de uma degeneração de retina deve ser feito por um especialista, baseado em alguns exames que testam o grau de funcionamento das células do tecido retiniano (eletroretinograma, angiografia fluoresceínica, exame de campo visual). Um oftalmologista experiente pode detectar as degenerações retinianas hereditárias, examinando cuidadosamente o interior da retina. Em muitos casos de retinose pigmentar, existe uma pigmentação anormal na retina, mas pode acontecer que algumas pessoas tenham retinose pigmentar sem pigmentos. A RP também pode aparecer invertida, e nesse caso os pigmentos se centram mais na parte posterior central da retina em lugar do costumeiro lugar, que são as áreas laterais da retina, gerando dúvidas no diagnóstico do tipo de doença (RP ou DM). Para um bom diagnóstico o oftalmologista necessita reunir uma série de informações sobre o seu paciente: tipo de hereditariedade da RP, idade em que se manifestou, áreas da retina afetadas, tamanho do campo visual, situação da mácula, etc. Em alguns casos ele deve recorrer ao apoio de um geneticista, um otorrino ou/e um neurologista. O que causa a doença degenerativa da retina (DDR)? A retinose pigmentar e a degeneração macular juvenil são causadas por defeitos genéticos de um modo geral. Estima-se que sejam bem mais de cem os gens cujas mutações ocasionam as DDR. Mais de cinquenta gens foram localizados até agora e diáriamente novos gens e suas mutações são descobertos em várias partes do mundo. Existe uma rede na internet que reporta todos os gens descobertos, ligando-os às doenças e aos cientistas responsáveis pelas descobertas: é a Retnet: www.sph.uth.tmc.edu/Retnet . Os genes têm proteinas que cumprem várias funções na retina: formam o tecido retiniano, criam um efeito químico que transforma a luz em sinais elétricos para o cérebro, mantêm as células saudáveis, fabricam células que mantêm a retina viva. Quando ocorrem defeitos nesses gens, a saúde da retina fica comprometida, levando à degeneração das suas células. Esses defeitos são chamados de mutação genética. Quando ocorre uma mutação, a sequência das bases que codificam uma proteína sofre uma modificação e altera a estrutura da proteína. Há casos mais raros de doenças degenerativas da retina que não têm herança genética. Podem advir de uma infecção, como por exemplo a rubéola, podem resultar de deficiência de vitamina A, do efeito de medicamento ou de trauma causado por um acidente. Essas formas de RP ou DM, por terem sido adquiridas, não passam de uma geração a outra e são consideradas formas secundárias de RP. Genética das doenças degenerativas da retina Os tipos de herança das doenças degenerativas da retina (DDR) são vários e se ligam a um dos tres padrões de herança genética: autossômica dominante, autossomica recessiva ou herança ligada ao cromossoma X. Herança da retinose pigmentar 1.1. A forma de transmissão genética mais comum da RP é a herança recessiva. Isto significa que ambos os pais são portadores de um gen defeituoso, causador da doença. Ainda que eles não tenham sido afetados pela doença, têm uma probabilidade de 25%, em cada gestação, de terem uma criança afetada. 1.2. Há ainda os casos de RP por herança dominante, a qual aparece a cada geração e tende a ter uma forma mais lenta de progressão. Uma pessoa com RP de tipo dominante tem cerca de 50% de probabilidade em cada gestação de ter uma criança afetada. Neste caso a herança genética depende apenas de um dos pais, que é portador do gen. 1.3. Uma outra forma de herança é a herança recessiva ligada ao cromossoma X. Esse tende a ser um tipo de RP bastante severa, que surge ainda na infância. Ela afeta em geral os Inícions, mas são as mulheres as portadoras do gen. A probabilidade de que o filho de uma mulher portadora do defeito genético tenha RP é de 50% se for Iníciom. Se for uma filha, em 50% dos casos ela será uma portadora do gen defeituoso, que se manifestará nos descendentes masculinos, e raramente desenvolve a doença. 1.4. RP mitocondrial é uma forma de herança em que a RP vem acompanhada de outras anormalidades. Ela afeta pessoas de ambos os sexos, contudo só as mães passam o defeito genético a suas crianças. 1.5. RP digênica é uma forma pouco comum de RP em que os defeitos genético aparecem em dois gens num mesmo indivíduo. 1.6. RP esporádica ou RP simplex é a denominação para a RP que aparece pela primeira vez numa família, que nunca teve ninguém afetado. Nestes casos, a hereditariedade não pode ser investigada e o clínico deve sempre avaliar se não se trata de RP secundária, de causas não genéticas. Os cientistas calculam que os defeitos genéticos que produzem os vários tipos de doenças degenerativas da retina (DDR) estejam ligados a centenas de gens. Muitos deles já foram localizados e algumas de suas mutações foram descobertas, possibilitando a classificação de inúmeros tipos de RP. Contudo a localização do defeito genético é complexa, porque as mutações de um mesmo gen variam, causando diferentes formas de RP na família e até mesmo entre irmãos. A delimitação da herança genética das DDR depende de um trabalho clínico conjunto de geneticistas e oftalmologistas. Depende também de muita pesquisa de laboratório, envolvendo cientistas de muitas especialidades (geneticistas, biólogos moleculares) ocupados em localizar novos gens e suas mutações. Mas a ciência tem tido um avanço tão grande na última década que apesar da enorme heterogeneidade genética associada à RP e outras doenças degenerativas da retina, as perspectivas com as pesquisas de proteinas dos gens parecem promissoras. Segundo afirma a Foundation Fighting Blindness - Estados Unidos - em sua página na internet, "na pesquisa genética está a chave da descoberta das causas da perda da visão. A identificação de todos os gens que contêm uma mutação causadora de doença é o primeiro passo crítico para compreender as DDR. Na medida em que cada gen mutante for identificado, biólogos moleculares e outros cientistas poderão estudar como o gen funciona normalmente nas células da retina e como uma mutação causadora de doença levou à perda da visão." Pesquisadores dessa fundação norteamericana estimam que dentro de 5 anos quase a totalidade dos gens causadores das DDR estarão identificados. A pesquisa genética avança ràpidamente graças aos recursos que estão sendo canalizados pelo projeto Genoma (mapeamento genético global do organismo humano) pelos laboratórios de biotecnologia e também pelas associações ligadas à entidade Retina International. Quando ocorre na família um caso de RP ou outra degeneração retiniana de carácter hereditário, aconselha-se que toda a familia procure informações nos Centros de Aconselhamento Genético das Universidades ou junto a médicos geneticistas, e que se submetam a sessões de aconselhamento com geneticistas. Em alguns centros de pesquisa médica dos Estados Unidos e Europa já estão sendo feitas genotipagens, isto é pesquisas com amostras de sangue de pessoas afetadas por DDR, e seus familiares para identificar gens específicos e mutações que geram a doença. É importante que os familiares tenham conhecimento do padrão de herança da DDR, e que em caso de suspeita de doença, consultem um oftalmologista.
Tratamentos Pelo fato de serem várias as causas da degeneração da retina acredita-se que não haverá um único tratamento para deter a progressão de todas as formas de distrofias da retina. Até o momento não há nenhum tratamento aceito pela comunidade médica internacional que possa trazer a CURA da doença. Tratamentos como os de Cuba e da Rússia, para falar de alguns deles, são considerados experimentos alternativos, e não têm reconhecimento científico. Em vários países os cientistas estão buscando tratamentos para as várias formas de doenças da retina. A Foundation Fighting Blindness (Fundação de Combate à Cegueira), entidade norte-americana formada por portadores de doenças degenerativas da retina, financia cerca de dezoito centros de pesquisa, nos EU e em outros paises e trabalha articulada com o National Eye Institute, o organismo governamental americano responsável por pesquisas sobre a visão. Nesses centros estão sendo realizados experimentos de transplante de retina, de recuperação do tecido retiniano através de uma substância conhecida como factor de sobrevivência celular, terapia genética, entre outros. São várias as abordagens que estão sendo testadas, em carácter experimental, e que buscam deter o processo degenerativo, restaurar as celulas da retina e manter ou recuperar a visão. Poderíamos destacar algumas delas: 1) Tratamentos medicamentosos visando a desaceleração da progressão da doença. Vitamina A Palmitato para Retinose Pigmentar e Síndrome de Usher - pesquisas recentes feitas no Massachussets Eye and Ear Institute, em Boston, Estados Unidos, mostraram que o uso de vitamina A sob a forma de palmitato, na dosagem diária de 15.000 u.i., detém a progressão da retinose pigmentar em cerca de 20% ao ano, o que representa 8 anos a mais de visão para os afetados ao longo de sua vida. Vários laboratórios estão produzindo vitamina A - palmitato nos Estados Unidos. No Brasil, várias farmácias de manipulação fazem esta vitamina, possibilitando aos afetados por retinose pigmentar tratarem-se com esta medicação, tendo sempre acompanhamento médico (esta pesquisa não foi feita com outras formas de DDR e se aplica apenas aos casos de RP). Nos Congressos da Associação Retina International, tem sido recomendado o uso da vitamina A palmitato. Axokine - O National Eye Institute, nos EU está produzindo experimentalmente em parceria com o laboratório Regeneron, uma medicação que visa retardar a degeneração das células da retina, impedindo o avanço de alguns tipos de RP. Trata-se do axokine, um factor de sobrevivência celular que atua sobre as células da retina, impedindo-as de se degenerarem. Os testes clínicos desse medicamento com animais apresentaram sucesso, faltando agora realiza-los com pessoas. As expectativas para o uso do axokine em alguns casos de RP são promissoras dentro de alguns anos. Luteina e Zeaxantina para DM - estas duas substancias nutrientes têm propriedades antioxidantes e apresentam-se concentradas em torno da mácula, dando-lhe sua aparência característica amarela. O uso destas substancias como suplementos nutritivos ainda se encontra em fase experimental, mas já é possível encontrá-las em farmácias nos Estados Unidos. Julga-se que elas agem protegendo a mácula da acção oxidante dos raios ultravioletas solares. A luteína é encontrada na gema do ovo, no milho, no kiwi , abóbora, espinafre, uvas vermelhas, pepino e aipo. A zeaxantina é encontrada no milho, laranja, melão, brocolis, maçã e pessego. Uso do medicamento Visudyne, associado à terapia fotodinâmica - esta nova terapia destina-se a um tipo específico de degeneração macular ligado à idade (DMI) - o tipo exsudativo. O visudine é um medicamento activador de luz que injetado no paciente atinge os vasos sanguíneos anormais, responsáveis pela DMI exsudativa. Iluminados pelo medicamento, esses vasos podem receber aplicação de um laser específico, que estimula o medicamento que passa a destruir os vasos sem danificar o tecido saudável que os circunda. Este tratamento parece trazer melhores resultados que o uso do laser tradicional. 2) Uso de lentes de proteção contra a luz solar - Sabe-se através de pesquisa que é importante a proteção da retina contra a radiação solar, em especial nos que têm doenças degenerativas da retina, pois a radiação acelera um processo de catarata precoce e anula o efeito da vitamina A na retina. Por isso recomenda-se o uso de lentes protetoras contra raios ultra-violetas e raios azuis.
Avanço das pesquisas Nos últimos cinco anos mais atenção tem sido dada às doenças degenerativas da retina, especialmente pela acção de entidades formadas por portadores das DDR. As associações de pessoas afetadas pela doença em vários países do mundo têm captado recursos e financiado pesquisas que buscam conhecer as várias causas da degeneração hereditária da retina e descobrir a forma de tratá-las, preveni-las e estancá-las. Os avanços científicos apontam para as seguintes áreas de tratamento e cura das DDR: 1. Genética e biologia molecular : um grande esforço de mapeamento dos gens causadores de DDR e da busca das proteínas envolvidas nas mutações desses gens vem sendo feito nos ultimos anos, viabilizando o surgimento da pesquisas de genotipagem e de terapia genética. Reconhece-se contudo que existe ainda um campo extenso a ser percorrido, uma vez que cada gen apresenta uma enorme quantidade de mutações, tornando a tarefa da genotipagem e da terapia muito complexa. Há quem diga que já encerramos a fase do genoma, a pesquisa dos gens causadores de doenças, e que estamos entrando na etapa da proteômica, a nova área da ciência que busca identificar e analisar as proteínas que são responsáveis por mutações genéticas. Como a análise das proteínas parece ser uma tarefa gigantesca, o desafio parece bastante grande. Mas a tecnologia está caminhando rapidamente, e já existe um Banco de Dados de Proteínas na internet, tal como o banco de dados do Genoma e dos gens da Retina (a Retnet, mencionada atrás). 2. Terapia genética: pode vir a envolver dois tipos de tratamentos: 3. Medicamentos farmacêuticos e biotecnológicos - estão sendo testados em animais em busca de tratamentos que detenham a progressão das doenças degenerativas da retina. Os medicamentos mais conhecidos são os fatores de sobrevivência celular (também chamados de fatores neurotróficos), que são substâncias naturais do organismo, responsáveis pela saúde das células nervosas. Pesquisas em laboratório com varios tipos de animais provaram a eficácia desses medicamentos na recuperação do tecido retiniano. Um deles é o axokine, mencionado atrás. Estes medicamentos contudo ainda não começaram a ser testados clinicamente em pessoas. Também há pesquisas buscando medicamentos antiapoptóticos, que sejam capazes de inibir o processo genético de destruição programada das células da retina, conhecido como apoptose. Este medicamento é altamente promissor, pois trabalhando com um mecanismo comum a todas as DDR, pode ser um tratamento único para todas elas, e não diferenciado como os demais tratamentos em teste. 4. No campo cirúrgico, há várias frentes de pesquisa: os transplantes de retina, especialmente das células do epitélio pigmentar da retina continuam em fase experimental com pessoas, sendo necessário resolver o problema de falta de conexão do tecido transplantado com o cérebro do paciente. Para os afetados por degeneração macular ligada à idade do tipo exsudativo, está em experimento a cirurgia da translocação da mácula. A técnica reside em descolar a retina (macula) e recolocar a macula longe da região onde se encontram os vasos sanguineos com crescimento anormal. 5. Células tronco - As células tronco da retina são a grande descoberta revelada recentemente. Elas são células imaturas, que cumprem um papel de precursoras e que tem a capacidade de assumir a forma de qualquer célula do organismo. Uma única célula tronco pode se reproduzir infinitas vezes fora do organismo,em laboratório. Um mecanismo inibidor do seu crescimento opera nos organismos humanos. Se os cientistas forem capazes de controlar esse mecanismo inibidor, acredita-se que as células tronco poderão vir a ser a fonte de produção de novas células para a retina, que poderão ser usadas para um auto-transplante, evitando-se assim os riscos de rejeição do material transplantado. A recente descoberta das células tronco da retina está motivando muitos estudos e traz muitas esperanças de tratamento para as DDR. 6. Por fim a técnica tão esperada pelos que já não têm a visão, a prótese retiniana ou olho eletronico - um chip eletrônico que imita a função da célula fotoreceptora. Este dispositivo , implantado na superfície da retina ou no cortex cerebral, visa restaurar a visão e já tem sido testado com pessoas, requerendo ainda algum tempo de pesquisa e experimento.
Equipamentos de ajuda à visão subnormal Paralelamente às pesquisas em busca de tratamento, a tecnologia tem colocado inúmeros recursos à mão dos que têm problemas de visão advindos de degeneração da retina. Os recursos para o aproveitamento da visão subnormal vão desde lentes especiais de aumento, softwares de computador, leitores eletrônicos de texto, máquinas que aumentam letras e figuras, lanternas entre outros. Vários países fabricam estes equipamentos e dispõem de catálogos especializados com especificações e preços. Em cidades maiores, há bibliotecas com livros gravados em fitas cassete. Oftalmologistas estão se especializando em visão subnormal, de modo a orientar seus pacientes sobre os recursos disponíveis para melhor aproveitamento da visão. Cientistas americanos e alemães estão pesquisando óculos especiais para compensar a falta de visão periférica e de visão noturna.
Fontes para a elaboração deste texto e respectivos sites: Retina International
www.retina-international.org
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exsudativa da Degenerescência Macular Relacionada com a Idade (DMRI). Esta doença
caracteriza-se pelo crescimento vasos sanguíneos anormais atrás da retina também
chamados membrana neovascular coroideia ou neovasos coroideus que provocam o aparecimento
de derrame e hemorragia. Sem tratamento a grande maioria dos pacientes desenvolve uma
cicatriz no centro da mácula e fica com grave perda de visão. As pessoas afectadas nos
dois olhos não conseguem ler, costurar ou conduzir e têm enormes dificuldades nas suas
actividades diárias. Sentem-se altamente limitadas para realizar tarefas tão rotineiras
como ver as horas ou marcar um número de telefone. Calcula-se que em Portugal surgem cada
ano cerca de 2500 a 3000 novos casos desta doença. A fotocoagulação laser permite tratar apenas cerca de 15 a 20%, isto é, uma em cada
6 pessoas afectadas, e, em metade destes, a membrana recidiva após o tratamento. Dada a
gravidade da doença e o seu mau prognóstico têm sido tentadas novas formas de
tratamento ao longo dos últimos anos. A radioterapia, o Interferon alfa e a remoção
cirúrgica dos neovasos foram algumas das terapêuticas tentadas. Contudo, ainda não foi
provado qualquer benefício destes tratamentos através de estudos multicêntricos,
randomizados e duplamente ocultos. Uma nova forma de tratamento, chamada terapia fotodinâmica com Verteporfina, mostrou
ser eficaz e segura no tratamento de casos bem seleccionados de DMRI exsudativa. Para
compreender como actua a TFD é necessário perceber como é que a DMRI exsudativa provoca
diminuição da acuidade visual. Os vasos anormais permitem a saída de sangue e
lipoproteinas e a consequente formação de uma cicatriz fibrosa na mácula, com perda
acentuada de visão. O conceito de TFD baseia-se na possibilidade de selectivamente ocluir
os vasos anormais, eliminando o derrame, sem danificar gravemente a retina como sucedia
com a fotocoagulação laser. O tratamento é efectuado em duas fases. Primeiro é injectado um produto fotosensível
a verteporfina que se fixa selectivamente aos vasos anormais. 15 minutos após o início
da injecção este produto é activado através de um feixe de laser não térmico com um
comprimento de onda específico (não lesa os tecidos) o qual vai activar o produto retido
nos vasos anormais. A activação provoca oclusão dos vasos anormais e a consequente
paragem da saída de fluído e sangue. Com o tempo o organismo reabsorve o fluido e sangue
previamente existentes. A perda de acuidade visual devida à DMRI exsudativa pode assim
ser minorada. Na maioria dos casos assiste-se a uma estabilização da acuidade visual e
em cerca de 13 % dos casos existe mesmo melhoria da visão. Com o decorrer do tempo os neovasos podem permeabilizar novamente, ou podem surgir
novos neovasos. Assim, torna-se necessário reavaliar os pacientes periodicamente e
efectuar novo tratamento se necessário. Em regra os pacientes tratados são reavaliados
cerca de 12 semanas após o tratamento e se necessário pode ser efectuado novo tratamento
com segurança. Em média são necessários 5 tratamentos em dois anos para poder ocluir
os neovasos. A TFD com Verteporfina mostrou igualmente ser eficaz em outro tipo de neovasos,
nomeadamente na alta miopia, nas estrias angióides e na coroidite multifocal. A alta
miopia (em regra superior a 6 dioptrias) é a causa principal de membranas coroideias em
adultos até aos 50 anos. Estas membranas podem implicar uma perda de visão muito marcada
já que a grande maioria localiza-se debaixo da fóvea (a parte central da retina
responsável pela visão de pormenor e que permite ler, escrever ou conduzir). Perguntas mais frequentemente efectuadas: Como é que eu sei se o tipo de DMRI que eu tenho tem indicação para a TFD? O tratamento tem efeitos secundários? Porque é que eu preciso de tantos tratamentos? A TFD permite a oclusão dos neovasos. Mas eles podem abrir novamente e derramar fluido
e sangue provocando mais perda de visão. Podem igualmente surgir novos vasos anormais.
Pode mesmo suceder que a membrana continue a crescer apesar do tratamento. Cerca de 7% das
pessoas tratadas só precisam de um tratamento, 16% precisam de dois, mas a maioria
precisa de mais. Em média são necessários 5 tratamentos. Passado quanto tempo é que se nota o efeito do tratamento? As pessoas tratadas podem notar melhoria da visão nas horas seguintes ao tratamento.
Contudo, o mais frequente é notar-se uma melhoria ou estabilização da acuidade visual
durante o primeiro mês a seguir ao tratamento devidas à oclusão dos neovasos e à
reabsorção do derrame existente. À medida que se aproxima o 3º mês após o tratamento
pode verificar-se um agravamento da acuidade visual que significa que os vasos anormais
estão novamente permeáveis e a permitir a saída de fluido e ou sangue. Que vantagens e desvantagens é que tem este tratamento sobre os que se efectuavam
anteriormente? A fotocoagulação laser queima os neovasos mas também os tecidos que o rodeiam, isto,
queima a retina e o epitélio pigmentado. Ao queimar a retina destrói as células
responsáveis pela visão existentes na zona tratada e ao queimar o epitélio pigmentado
impede o normal funcionamento da retina. No entanto continua a ser o tratamento de escolha
quando os neovasos não estão situados debaixo da fóvea (as membranas coroideias
extra-foveais). Por sua vez a remoção cirúrgica dos neovasos implica também a
remoção de células do epitélio pigmentado e da retina. Muito raramente os olhos
operados têm acuidade visual final maior que 1/10. A terapia fotodinâmica com Verteporfina não lesa definitivamente os tecidos circundantes da membrana. Destrói apenas os neovasos. Tem como desvantagem o facto de serem necessários vários tratamentos para se conseguir fechar definitivamente os neovasose de se desconhecerem os resultados para além de 3 anos de evolução após o tratamento.
Terapêutica Fotodinâmica com Visudyne INFORMAÇÕES SOBRE O VISUDYNE:
O que é o Visudyne e como actua? Em que casos é utilizado o Visudyne: Quais as precauções a tomar na utilização do Visudyne: O Visudyne pode ser utilizado em mulheres grávidas ou a amamentar? Interacção do Visudyne com outros medicamentos: Como é feito o tratamento com Visudyne? Durante algumas horas após o tratamento a sua visão poderá ficar pouco nítida,
devido às gotas oculares usadas para preparar os olhos para o tratamento. Como já foi
referido deve sempre utilizar óculos escuros e, durante este tempo deve evitar conduzir
veículos ou operar máquinas. Durante a injecção de Visudyne pode acontecer que parte
do medicamento saia para fora da veia. Se isso acontecer é possível que sinta alguma dor
no local da injecção e que a zona afectada fique vermelha. A pele afectada deverá ser
protegida da luz durante alguns dias. Um reduzido número de doentes apresentou dores nas
costas e/ou náuseas durante a injecção, tendo os sintomas desaparecido no momento em
que terminou a aplicação da injecção. Entre outros efeitos secundários deste tratamento consideram-se: redução da visão
(se existir oclusão de vasos sanguíneos normais), hemorrogia no interior do olho,
alteração da visão, dor ocular e vermelhidão. Alguns destes sintomas/sinais podem ser
consequência da própria doença. Uma perda acentuada de visão foi descrita em 1-4% dos
pacientes tratados nos primeiros 7 dias após o tratamento. Alguns dos doentes tratados
registaram um ou mais dos efeitos secundários referidos em seguida: dor de cabeça,
tonturas e diminuição da pressão sanguínea. A segurança e eficácia do tratamento com
VisudyneTM não foi demonstrada para além dos 2 anos. Dr. Rufino Silva http://www.oftalmologia.co.pt/ter-fotodinamica.html Tratamentos disponíveis para a DMI Ângela Carneiro Para a forma exsudativa há tratamento, devendo a terapêutica ser iniciada o mais precocemente possível. Até ao ano 2000 o único tratamento disponível para a DMI exsudativa era o laser. Contudo, só permitia tratar um pequeno número de doentes que apresentavam lesões no fundo de olho com características bem definidas. Além disso era um tratamento destrutivo que visava a destruição dos neovasos mas em simultâneo provocava uma queimadura da retina, o que levava, só por si, a perda visual grave. Em 2000 surgiu a terapia foto-dinâmica com verteporfina (Visudyne ®), sendo o primeiro tratamento selectivo que permitia destruir os neovasos com relativa preservação da retina adjacente. Contudo, não permitia tratar todas as lesões que aparecem na prática clínica e apesar do tratamento a visão dos doentes continuava em média a diminuir, só que menos que nos doentes não tratados. Em 2004 começaram a surgir novos tratamentos com injecções intra-vítreas de medicamentos anti-angiogénicos. São injecções realizadas no globo ocular de medicamentos que permitem inibir o crescimento dos vasos anómalos. Quando realizadas por oftalmologistas treinados e em condições de assepsia, são relativamente indolores e seguras. São efectuadas em regime de ambulatório (isto é, não requerem internamento). Neste momento em Portugal existem dois medicamentos aprovados para o tratamento da DMI exsudativa: o pegaptanib (Macugen®) e o ranibizumab (Lucentis®), que necessitam aplicação de 6/6 ou de 4/4 semanas, respectivamente. Há ainda um terceiro medicamento, que foi aprovado em uso endovenoso para tratamento de neoplasias cólon-rectais metastizadas, o bevacizumab (Avastin®), que pode ser usado em injecção intravítrea off-label ou seja, fora da indicação constante na bula do medicamento. O Macugen®, foi o primeiro a estar disponível comercialmente, podendo ser usado para tratar maior número de lesões do que o Visudyne ®. Contudo, a visão média dos olhos tratados é semelhante à dos doentes submetidos a terapia foto-dinâmica, continuando a diminuir ao longo do tempo. Os outros dois medicamentos apresentam melhores resultados visuais. O Lucentis® mostrou resultados em estudos de estabilização visual em mais de 90% dos doentes tratados e melhoria da visão em cerca de 70% dos doentes. Permite, por outro lado, impedir novos casos de cegueira legal e manter visão de leitura numa percentagem considerável de doentes. O Avastin® em uso off-label implica aceitação mais informada pelo doente dos potenciais riscos, mas parece ser eficaz e seguro a curto prazo. Como se realizam os tratamentos? O doente fica tratado e curado? Onde podem ser realizados os tratamentos para a DMI?
Fonte: Sindicato dos Bancários do Norte
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"lucentis"
[2007]
Este documento é um resumo do Relatório Europeu de Avaliação Público. O seu objectivo é explicar o modo como o Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) avaliou os estudos realizados a fim de emitir recomendações sobre as condições de utilização do medicamento. Se necessitar de informações adicionais acerca da sua patologia ou do tratamento, contacte o seu médico. O que é o Lucentis? O Lucentis é uma solução para injecção no olho. Contém a substância activa ranibizumab. Para que é utilizado o Lucentis? O Lucentis é utilizado no tratamento de doentes com a forma “húmida” (exsudativa) de degenerescência macular relacionada com a idade (DMRI). Esta doença afecta a parte central da retina (denominada mácula), localizada no fundo do olho, e causa a perda de visão central. A mácula é responsável pela visão central necessária para ver os detalhes essenciais à realização de tarefas quotidianas tais como conduzir, ler e reconhecer rostos. A forma húmida da DMRI é causada pela formação de vasos sanguíneos anormais por baixo da mácula (também chamados membrana neovascular coroideia), os quais podem derramar fluido e sangue. Isto causa a perda de visão. O medicamento só pode ser obtido mediante receita médica. Como se utiliza o Lucentis? O Lucentis é administrado por injecção no olho afectado. Durante os primeiros 3 meses, é administrada uma injecção por mês. Depois deste período, a visão do doente deve ser avaliada todos os meses e é administrada outra injecção caso a visão tenha piorado. O intervalo entre as injecções não deve ser inferior a 1 mês. O Lucentis deve ser administrado por um oftalmologista (médico especialista dos olhos) com experiência neste tipo de injecções. Antes de cada injecção é administrado um anestésico local de forma a reduzir ou a evitar a dor causada pela injecção. O olho, a pálpebra e a pele em torno do olho são desinfectados. São administradas gotas de antibiótico durante 3 dias antes da injecção e nos 3 dias a seguir ao tratamento, de modo a prevenir qualquer infecção ocular. Os doentes são instruídos a administrar a si próprios as gotas. Como funciona o Lucentis? A substância activa do Lucentis, o ranibizumab, é uma pequena porção de um anticorpo monoclonal. Um anticorpo monoclonal é um anticorpo (um tipo de proteína) que foi concebido para reconhecer e ligar-se a uma estrutura específica (chamada antigénio) que se encontra em determinadas células do organismo. O ranibizumab foi concebido para bloquear uma substância chamada factor de crescimento endotelial vascular A (VEGF-A). O VEGF-A é encontrado em concentrações elevadas nos olhos dos doentes com DMRI e faz com que os vasos sanguíneos se desenvolvam e derramem fluido. Estes efeitos agravam a doença. Ao bloquear este factor, o ranibizumab reduz o crescimento dos vasos sanguíneos e o derramamento de fluido. Como foi estudado o Lucentis? Os efeitos do Lucentis foram primeiramente testados em modelos experimentais antes serem estudados em seres humanos. Os 3 estudos principais envolveram 1 323 doentes com a forma húmida de DMRI. Todos os doentes tinham idades superiores a 50 anos e não tinham recebido qualquer tratamento anterior para a DMRI húmida. Foram testadas duas doses de Lucentis: 0,3 mg e 0,5 mg. Os estudos foram desenhados para durar até 2 anos. No entanto, apenas um dos estudos estava concluído quando o medicamento foi avaliado. Dois dos estudos compararam o Lucentis com uma injecção simulada, um procedimento semelhante à injecção com Lucentis mas sem agulha nem a utilização de Lucentis. A seringa é encostada à superfície do olho mas não é administrada uma injecção. Os doentes não conseguem determinar se receberam Lucentis ou o procedimento simulado. O terceiro estudo comparou o Lucentis com a terapêutica fotodinâmica (TFD, outro tratamento para a DMRI) com verteporfina. O parâmetro principal de eficácia foi a alteração da visão no olho afectado após um ano de tratamento testada através de um teste padrão com uma escala de letras. Os doentes foram classificados como não tendo experimentado uma deterioração significativa da visão caso o número de letras que conseguissem ver ver tivesse aumentado, se tivesse mantido igual ou decrescido em menos que 15. Qual o benefício demonstrado pelo Lucentis durante os estudos? O Lucentis foi mais eficaz na prevenção de uma deterioração na visão do que os comparadores. Entre 94,3% e 96,4% dos doentes que receberam Lucentis todos os meses não experimentaram uma deterioração significativa da sua visão, em comparação com 62,2% dos que receberam injecções simuladas e 64,3% dos que foram tratados com TFD com verteporfina. A dose de 0,5 mg revelou-se mais eficaz do que a dose de 0,3 mg. A visão dos doentes que receberam Lucentis também se manteve melhor do que a visão dos doentes que receberam injecções simuladas num estudo no qual as injecções foram administradas menos frequentemente, uma vez por mês nos primeiros três meses e, depois, uma vez de três em três meses. Qual o risco associado ao Lucentis? Os efeitos secundários mais comuns associados ao Lucentis (registados em mais de 1 doente em 10) são vários problemas que envolvem o olho e a pálpebra, bem como dores de cabeça e hipertensão arterial (tensão alta). Para a lista completa dos efeitos secundários notificados relativamente ao Lucentis, consulte o seu médico. Raramente, podem ocorrer endoftalmites (infecções no interior do olho), danos na retina e cataratas (turvação do cristalino) após o tratamento com Lucentis. É importante tratar estes problemas o mais rapidamente possível. As injecções no olho podem também causar um aumento temporário da tensão ocular. O seu oftalmologista irá verificá-la após a injecção e, caso necessário, tomará as devidas as medidas correctivas. O Lucentis não deve ser utilizado em doentes que possam ter hipersensibilidade (ser alérgicos) ao ranibizumab ou a qualquer dos componentes. Também não deve ser utilizado em doentes que tenham uma infecção no olho ou na área adjacente ao mesmo, ou que apresentem uma inflamação grave no interior do olho. Por que foi aprovado o Lucentis? O Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) notou que o Lucentis está associado a efeitos secundários, mas que estes são contrabalançados pela sua eficácia que foi demonstrada de forma convincente e mantida durante até 2 anos. O Comité concluiu que os benefícios do Lucentis são superiores aos seus riscos no tratamento da forma exsudativa (“húmida”) da DMRI resultante da formação de uma membrana neovascular coroideia. Visto que a eficácia do Lucentis foi ligeiramente superior nos doentes que receberam a dose de 0,5 mg, e que os efeitos secundários mais comuns não foram graves, o Comité recomendou a concessão de uma Autorização de Introdução no Mercado para esta dose de Lucentis. Que medidas estão previstas para garantir a utilização segura do Lucentis? A empresa que fabrica o Lucentis irá fornecer pacotes informativos aos médicos (incluindo informação sobre as medidas necessárias para minimizar o risco de infecção associado às injecções no olho), bem como aos doentes (para os ajudar a preparar-se para o tratamento com Lucentis, a reconhecer efeitos secundários graves e a saber quando devem procurar auxílio médico com urgência). A empresa irá também monitorizar de perto os efeitos secundários e a segurança do medicamento. Outras informações sobre o Lucentis: Em 22 de Janeiro de 2007, a Comissão Europeia concedeu à Novartis Europharm Limited uma Autorização de Introdução no Mercado, válida para toda a União Europeia, para o medicamento Lucentis. O texto integral do EPAR do Lucentis encontra-se disponível aqui. Este resumo foi actualizado pela última vez em Dez de 2006. European Medicines Agency Fonte:
http://www.emea.europa.eu/humandocs/PDFs/
actualizado por
MJA
A Retina e a Degeneração Macular DR. QUEIROZ NETO A retina é uma fina camada de células nervosas que reveste a parte interna do olho. Ela é responsável pela formação da imagem,funcionando como o filme de uma câmera fotográfica. A mácula é a parte central e mais sensível da retina, a qual é responsável pela visão para leitura e proporciona uma visão nítida,detalhada e em cores. A mácula tem o tamanho de 2 a 3mm. A parte periférica da retina é responsável pelas visões noturna e lateral. A degeneração macular é uma moléstia em que o afinamento e rompimento da retina prejudicam o funcionamento da mácula. Ela ocorre, na maioria dos casos, na terceira idade,sendo por isso freqüentemente chamada degeneração macular relacionada à idade.Entretanto, a doença pode também decorrer de fatos hereditários e,neste caso,é então chamado degeneração macular juvenil.A doença pode,ainda,decorrer de ferimentos,infecções e inflamações dos olhos. MaIs de 80% dos casos de degeneração macular senil são de modalidade atrófica
ou sêca,a qual evolui lentamente e muitas vezes causa apenas perda parcial da
visão. Os casos restantes são da modalidade: exsudativa ou úmida.Estes,
embora totalizem uma porcentagem muito menor, representam um perigo muito maior para a
visão. A doença é mais freqüente entre as pessoas de origem européia ou entre as que
têm olhos de cor clara e, embora não se saiba todas as suas causas, está provavelmente
relacionado com a exposição à luz solar ao longo da vida. Sintomas Um dos sintomas da degeneração macular é o embaçamento da visão central,
interferindo na leitura e em outras actividades que exijam visão em detalhe.O paciente
vê, por exemplo, o rosto de uma pessoa que esteja próxima sem conseguir ver os detalhes
dos olhos ou da boca. Outros sintomas são a distorção no centro de uma paisagem ou das
linhas no centro da visão,o esmaecimento das cores,a percepção de uma área escura ou
vazia no centro da visão e a alteração do tamanho dos objectos em relação ao olho
sadio. Campimetria, um teste que possibilita mapear o campo visual do
paciente. O mapa obtido permite a identificação de alterações visuais causadas pelo
glaucoma ou pela degeneração macular. Tratamento Embora existam diversos tratamentos sob pesquisa, ainda não há um meio eficaz para
reverter ou deter a degeneração macular do tipo atrófica ou seca. Já a degeneração
macular exsudativa ou úmida pode,em alguns casos,pode ser tratada a laser evitando-se a
progressão da doença. A prevenção A degeneração macular não causa cegueira total pois, geralmente,a retina periférica
não é afetada. Mas, ela pode causar uma visão subnormal,um problema em que os óculos
comuns não são capazes de proporcionar visão nítida. Faça uma consulta oftalmológica
periódica se você tiver mais de 50 anos, se em sua família houver casos de problemas
retinianos ou se você estiver com problemas de visão central, como alteração da forma
de objectos ou imagens , ou perda de cor da visão.O diagnóstico da doença no estágio
inicial possibilitará ao oftalmologista prescrever tratamento que previna dano adicional
à visão e/ou indicar dispositivos ópticos para visão subnormal que ajudarão você a
fazer melhor uso possível da visão restante. 20/08/2002 Dr. Leôncio de Souza Queiroz Neto é oftalmologista do Instituto Penido Burnier em
Campinas - São Paulo.
O que é a Degenerescência Macular Vista Clinique
A maior causa de perda da visão central Quando o olho fixa, a mácula é o ponto da retina onde os raios de luz se encontrem, focados pela cornea e cristalino. Semelhante ao filme numa máquina fotográfica, a retina recebe imagens através de uma lente parecida com uma lente de máquina fotográfica.Se a mácula sofrer alterações, a parte central das imagens está ausente, como se uma área enevoada tivesse sido colocada no centro do retrato.As imagens à volta da área enevoada podem ser claremente visíveis A degenerescência macular é uma doença da mácula. O olho continua a vêr objectos fora do campo central, já que a visão periférica usualmente não é afectada. Por esta razão, a degenerescência macular por si, não resulta numa cegueira completa. No entanto, pode tornar a leitura ou trabalho minucioso, dificil ou impossível sem a utilização de amparos ópticos especiais para a visão fraca. A retina é a camada delicada de tecido que forra a parede interior da parte posterior do olho. A mácula é uma área muito pequena no centro da retina. A mácula tem mais ou menos o mesmo tamanho da letra "O" maiúscula utilizada neste panfleto. Esta pequena área é responsável pela nossa visão central, "o olhar para a frente" e é utilizada para a leitura e outras tarefas minuciosas. Embora a degenerescência macular em geral prevaleça em pessoas mais idosas, o envelhecimento em si, nem sempre resulta na perda da visão central. De qualquer maneira, a degenerescência macular é a principal causa de uma debilitação da visão minuciosa e literária nos Estados Unidos. Causas e Sintomas A forma mais comum de degenerescência macular é a involutiva. Esta forma conta para 70% de todos os casos, e está associada ao envelhecimento.É causada pelo colapso ou debilidade dos tecidos da mácula. Cerca de 10% das degenerescências maculares pertencem a uma categoria chamada degenerescência macular exsudativa. Normalmente a mácula é protegida por um tecido fino que a separa dos vasos capilares que irrigam a parte de trás do olho. Por vezes, estas veias rebentam ou derramam líquido e produzem então um tecido cicatricial. Isto, muitas vezes, leva ao crescimento de novas veias anormais no tecido cicatricial. Estas veias recentemente formadas são especialmente frágeis. Rompem fácilmente e podem vazar.O sangue e fluido derramado destroi a mácula e causa uma cicatrização adicional. A visão torna-se alterada, enevoada e um tecido cicatricial espesso impede a visão central. Outros tipos de degenerescência macular são herdados, e podem ocorrer em adolescentes (degenerescência macular juvenil ) e não são associadas ao envelhecimento. Ocasionalmente uma infecção, um ferimento, ou uma inflamação também pode alterar o delicado tecido da mácula. Se só um olho fôr afectado, a degenerência macular pode passar despercebida nas etapas iniciais, particularmente quando o outro olho é normal. Esta condição afecta frequentemente um olho de cada vez e, por isso, pode passar algum tempo antes que o doente fique alertado dos seus problemas visuais. A degenerescência macular pode causar sintomas diferentes. Por vezes só há perda de visão num olho, enquanto que o outro continua a vêr bem durante muitos anos. se ambos os olhos estiverem afectados, todavia, a leitura e os trabalhos minuciosos poderão tornar-se difíceis. A degenerescência macular em si, não causa uma cegueira completa. Enquanto a visão periférica não é afectada, quase todo o ser humano consegue tomar conta de si próprio sem grandes dificuldades. http://www.vistaclinique.pt/macular_senil.htm
Degenerescência macular senil [DMS] Care for your Eyes
O que é a degenerescência macular senil? A DMS é uma doença dos olhos que provoca uma perda da acuidade devido a processos degenerativos na área da mácula (parte central da retina com a melhor resolução; local de maior acuidade). Isto interfere sobretudo na leitura ou na condução, enquanto que a visão periférica e, com esta, a orientação no espaço ou a percepção de contornos mantêm-se amplamente. Na DMS distinguem-se duas formas: A forma mais comum, com mais de 80 %, é a degenerescência macular seca, que tende a progredir lentamente durante anos sem que, muitas vezes, o doente se aperceba disso durante muito tempo e que, por vezes, até acaba de progredir. É possível uma mudança para a forma húmida. A degenerescência macular húmida, embora seja muito mais rara, com apenas 15%, é
muito mais agressiva. Na maioria dos casos, desenvolve-se dentro de poucas semanas ou
meses e pode ter por consequência um défice grave da visão ou até mesmo cegueira. Uma
característica típica é o nascimento de novos vasos sanguíneos que podem rapidamente
entrar na mácula e causar aí derrames de sangue. O que causa a degenerescência macular senil? A causa da DMS é amplamente desconhecida. Do ponto de vista patofisiológico,
observam-se desequilíbrios e distúrbios no epitélio pigmentado da retina. As
substâncias degradadas nas células retinianas deixam de poderem ser eliminadas de forma
adequada acumulando-se nas células. No caso da DMS húmida, este processo dá início a
uma neovascularização patológica. Quais os sintomas da degenerescência macular senil? Uma diminuição rápida da acuidade visual, que muitas vezes se torna evidente pela primeira vez durante a leitura, é um sinal que se deve levar a sério e motivo para consultar um oftalmologista. Outro sintoma típico é a visão destorcida de linhas rectas ou de caracteres ou a perda da visão central. Como é diagnosticada a degenerescência macular senil? A DMS é diagnosticada pelo oftalmologista através de um exame do interior do olho
(oftalmoscopia). Já antes de o próprio doente se aperceber disso, o oftalmologista
consegue detectar zonas de pigmentação concentrada no centro da retina, bem com
gânglios, ou seja, corpos amarelo-esbranquiçados e densos, que se espelham pelo centro
da retina. Num estádio avançado, podem verificar-se protuberâncias que são sinal de
uma invasão de novos vasos sanguíneos. Quais as possibilidades de tratamento? Não existe uma maneira de curar definitivamente a degenerescência macular seca nem a
húmida. alessandrabattisti@hotmail.com
Degenerescência macular relacionada Chega ao ritmo da inevitável passagem dos anos e vem afectar a zona mais
nobre da visão. Com a sua evolução, o doente fica a ver o mundo por detrás
de uma sombra escura, que lhe rouba a visão central. E apenas deixa ficar a visão
periférica que mostra uma realidade desfocada. DMI, porquê? DMI: bendito progresso DMI: mais vale prevenir A responsabilidade científica desta informação é da http://saude.sapo.pt/gkB9/665853.html
Degeneração Macular e prevenção Dr. Queiroz Neto
O que é a degeneração macular? A mácula é uma pequena área localizada na parte posterior do olho que nos permite
ver detalhes finos com clareza. A degeneração macular é uma lesão na mácula que afeta
tanto a visão para longe quanto a visão para perto, podendo dificultar ou até mesmo
impedir a realização de algumas actividades, como ler, escrever ou costurar. Que relação tem as vitaminas e minerais com a degeneração macular? Já conhecemos a importância de uma boa nutrição para a manutenção da saúde
geral. Isto requer uma dieta balanceada que contenha quantidades suficientes de
proteínas, carboidratos, glicídios, vitaminas e minerais. Antioxidantes As reacções químicas normais causadas pelo efeito da luz sobre a mácula podem ativar o oxigênio e causar lesão macular a longo prazo. Algumas vitaminas e minerais atuam como antioxidantes, ou seja, como agentes químicos que trabalham contra esta molécula de oxigênio ativada, podendo assim prevenir danos à mácula. Alguns especialistas acreditam que os seguintes antioxidantes poderiam ajudar a retardar a degeneração macular e a acção de outros fatores de envelhecimento:
Zinco O zinco, um dos oligoelementos mais comumente encontrados em nosso corpo, existe também em concentração elevada no olho, em especial na retina e tecidos que rodeiam a mácula. O zinco é necessário para a acção de mais de 100 enzimas e para as reacções químicas da retina, Alguns estudos têm demonstrado que certas pessoas idosas têm baixos níveis de cálcio no sangue, devido a uma dieta insuficiente ou baixa absorção do zinco. Já que o zinco é importante para a saúde da mácula, alguns médicos pensam que suplemento de zinco na dieta poderia atrasar o aparecimento de degeneração macular. Devo tomar vitaminas, antioxidantes ou zinco para prevenir degeneração macular? O primeiro passo para manter uma boa saúde é uma dieta balanceada. As vitaminas e
minerais devem ser administradas como suplementos na dieta em quantidades determinadas de
acordo com o requerimento diário recomendado. Dr. Queiroz Neto http://www.drqueirozneto.com.br
Coroideremia Outra doença degenerativa da retina associada à RP é a coroideremia. Ela é uma
doença hereditária que causa a perda progressiva da visão em função da degeneração
da coroide e da retina. Também chamada de distrofia tapetocoroidal ela decorre da
degeneração de várias camadas de células no interior do olho, que formam a coroide, o
epitelio pigmentar da retina e a retina. A coroide é formada por vasos sanguineos e se
localiza entre a retina e a esclera, a parte branca e externa do olho. https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/coroideremia.asp
O que é a Retinose Pigmentar Dr Wellington Santos Doença degenerativa primaria da retina, de transmissão genética variável, autossônica ou ligada ao sexo, onde bastonetes e posteriormente cones são destruídos com atrofia secundaria da retina e epitélio pigmentar, começando na periferia média e poupando até mais tarde as regiões maculares, de progressão lenta e inexorável, sendo a cegueira noturna o 1º sintoma assim como a deficiência de adaptação na mudança de ambientes de iluminação diferentes, podendo apresentar como complicações comuns a catarata, o glaucoma e a miopia, e fazer parte de sindromes com surdo-mudez e tendo como resultado a amaurose (cegueira), apesar de serem apregoadas soluções na medicina alternativa, hoje comprovadamente sem sucesso. Jornal Oftalmológico Jota Zero N° 60 - Ano 12 - Out/Nov 97 -
http://www.wellingtonsantos.com/21.htm
Retinose Pigmentar Pedro Paulo Bonomo e Sérgio L. Cunha Retinose pigmentar é uma doença degenerativa primária da retina comprometendo
inicialmente os fotorreceptores periféricos. A transmissão genética da retinose
pigmentar é muito variável podendo ser autossômica recessiva, dominante ou ligada ao
sexo. Segundo François, 20% dos casos são autossômicos dominantes, 37% são
autossômicos recessivos, 4% são ligados ao sexo e os restantes 39% aparecem
esporadicamente sem história familiar. Herança
Deutman, revisando a literatura sobre este tema, reuniu os principais trabalhos
estatísticos de transmissão genética desta distrofia, cujos dados (ver tabela) julgamos
ser de interesse: Tabela
Este mesmo pesquisador acha que a classificação com base nos postulados da
genética é absolutamente necessária. A nosso ver, apesar de não atender a
complexidade deste tronco patológico, facilita sobremaneira a conduta médica, seja com o
objectivo de prognostica-la seja para estabelecer um aconselhamento genético confiável:
A frequência do gene da retinopatia pigmentar primária, está presente na população geral americana em 1% dos indivíduos. Esta afirmação, se verdadeira para outras regiões do mundo, é extremamente importante na organização do plano de aconselhamento. Um indivíduo com um gene recessivo ou isolado tem, aproximadamente, a mesma chance de encontrar uma mulher portadora da mesma situação genética. Torna-se, portanto razoável preveni-la e que a chance de ter uma criança afetada é menor do que 1 para 100. Achados fundoscópicos Retinose Pigmentar Inicial
A retinose pigmentar em sua fase inicial quase não apresenta hiperplasia dos pigmentos. Tentou-se considerar este estádio com uma variação fenotípica, dando-lhe a denominação de retinose pigmentar primária "paucipigmentar". Entretanto, verificou-se, mais tarde, que nestes casos o acúmulo de pigmentos aumentava com a progressão da doença. A nosso ver, este termo deve ser definitivamente abandonado. A pigmentação, habitualmente, localiza-se no equador do globo ocular, preservando, pelo menos durante algum tempo, o pólo posterior. Mais tarde, esta área da retina sadia é substituida por uma descoloração das células epiteliais. O reflexo da limitante interna da retina, também, reduz-se nesta fase. O agrupamento dos pigmentos é variado. Na forma típica da doença, estes assumem uma disposição a maneira de osteoblastos. Na forma atípica, os pigmentos se agrupam em bloco, em padrão mosaico ou em pequenos pontos. Retinose Pigmentar Intermediária
A esclerose coriocapilarquando atinge o pólo posterior, permite a visão dos grandes
vasos da coróide como na esclerose centroareolar. A papila óptica pode estar normal na
fase mais precoce da patologia. Na fase tardia predomina o empalidecimento, culminando com
um aspecto céreo, adjunto freqüente no quadro clássico das retinopatias evoluídas. Retinose Pigmentar Avançada
Função visual Acuidade visual Visão cromática Luminância Comprimento de onda dominante Pureza Adaptometria Sociedade de Assistência aos Cegos Texto retirado do livro: Doenças da Mácula Fotos retiradas do livro:
Retinose Pigmentar A Retinose Pigmentar [RP] não constitui uma doença e sim um grupo de doenças causadas por inúmeras mutações genéticas, cuja característica comum é a degeneração gradativa das células da retina sensíveis à luz. Estima-se que existam mais de cem tipos de RP. Quanto aos padrões de hereditariedade, existem: retinose pigmentar autossômica dominante, recessiva e ligada ao cromossomo X. Pessoas afetadas pela RP sofrem um processo de degeneração dos cones e bastonetes da retina, o que as leva a uma perda de visão noturna e a ter dificuldade de enxergar quando há pouca luminosidade ou claridade excessiva. Podem também ter alterações na visão periférica e seu campo visual pode ficar reduzido ou tubular nas fases mais avançadas. Por isso, comumente, os portadores desta doença tropeçam em objectos no seu caminho ou esbarraram em pessoas e em objectos fora de seu campo visual. O ritmo em que se dá a perda do campo visual varia de pessoa a pessoa, o que se explica em parte pela herança genética e em parte por fatores ambientais (stress, fumo, alimentação, medicamentos). Ao que parece, a RP do tipo dominante tende a se manifestar de forma mais branda que alguns tipos de RP recessiva. Muitos detêm uma parcela de visão até os 50, às vezes ate os 70 anos, enquanto outros a perdem antes. As características do fundo de olho, que levam um médico a diagnosticar a RP, são em geral os pigmentos escuros na retina e os sinais de atrofia (degeneração) do tecido retiniano e dos vasos sangüíneos. Os sintomas da retinose pigmentar começam a aparecer em geral entre os 10 e os 30
anos. Os casos mais comuns de RP aparecem na idade adulta. Existem entretanto
crianças que desenvolvem estas doenças no início da infância, levando-as a ter
pouca visão e nenhuma resposta no teste de eletroretinograma. A RP congênita é chamada
de Amaurose Congênita de Leber. Amaurose Congênita de Leber Grupo de doenças em que se têm: baixa visão desde o nascimento, nistagmo (movimento ocular anormal e repetitivo) e respostas eletrorretinográficas muito reduzidas ou indetectáveis, tanto de cones como de bastonetes. A maioria dos casos é de herança autossômica recessiva, podendo afetar ambos os sexos. Pode haver associação com hipermetropia alta, catarata, ceratocone e alterações neurológicas.
https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/retinose.asp
AMAUROSE CONGÉNITA DE LEBER Dr.ª Flávia Guimarães Paschoalino
Introdução e Conceito A Amaurose Congénita de Leber (ACL) é a designação para um grupo de
distrofias retinianas de acometimento precoce , de carácter hereditário,
caracterizada por deficiência visual moderada a severa identificada nos
primeiros meses de vida, nistagmo, respostas pupilares pobres e ERG extinto
ou muito diminuído. A partir do locus alterado são descritas 5 formas da
doença: Na maior parte dos casos a transmissão é de modo autossómico recessivo,
apesar de casos descritos com transmissão dominante, e a heterogeneidade
dos achados descritos na literatura reforça a impressão de que não de trata
de uma entidade única. São descritos vários achados associados à ACL,
oculares, renais e neurológicos entre outros. Critérios diagnósticos Alguns critérios são utilizados nos trabalhos publicados para caracterizar os pacientes com ACL:
Características clínicas oftalmológicas Durante os primeiros meses de vida os pacientes desenvolvem nistagmo ou "roving eyes". Os reflexos fotomotores freqüentemente encontram-se diminuídos ou abolidos, sendo também comuns o sinal oculodigital e o enoftalmo secundário. Na avaliação do paciente nos primeiros meses de vida a oftalmoscopia pode apresentar um aspecto normal, ou quase normal. Com o tempo é comum o aparecimento de outras alterações como atenuação vascular, atrofia NO (principalmente após 1ano); alterações pigmentares tipo espículas ósseas, acometimento macular tipo granular ou colobomatoso, lesões numulares pigmentadas de polo posterior e periferia. Lambert e cols. sugerem um subgrupo de pacientes com ACL, retardo mental, acuidade visual mais baixa e aparecimento mais precoce de alterações pigmentares tipo "espículas ósseas". A acuidade visual, quando pode ser avaliada, varia de 20/200 a ausência de percepção luminosa; raramente é melhor que 20/200 (6% 20/50 ou menor). O ERG apresenta-se extinto ou com amplitude diminuída nos componentes fotópico e escotópico, associado ou não ao PEV extinto ou com amplitude diminuída. Outros achados oculares são hipermetropia (em geral maior que 3D), estrabismo, ceratoglobo, catarata, ceratocone, blefarofimose, microcórnea, buftalmo, oftalmoplegia externa, fotofobia não relacionada às alterações corneanas.
Características clínicas neurológicas Não existe na literatura consenso quanto ao binómio disfunções do SNC e ACL. Tipicamente a criança com cegueira congénita apresenta hipotonia, atraso na aquisição dos marcos do desenvolvimento motor e dificuldades de orientação e mobilidade que podem resultar exclusivamente da privação sensorial em períodos críticos do desenvolvimento, sem outras disfunções associadas do SNC. Nos portadores de ACL, entretanto, embora estes sejam achados esperados devido à deficiência visual, são também descritos defeitos estruturais do SNC. Alguns destes achados não apresentam relação clara com o retardo mental, o atraso neuromotor ou ainda com o quadro oftalmoscópico - dilatação ventricular moderada, alargamento de sulcos, malformações cerebrais menores diversas - mas outras alterações são contudo mais importantes - hipoplasia do vermis cerebelar ou do cerebelo, encefalocele, micropoligiria e imaturidade de neurônios corticais . Inversamente, também são descritos portadores de ACL, inicialmente com diagnóstico de retardo mental que mais tarde demonstraram inteligência normal. Uma das implicações do acometimento neurológico e psicomotor na ACL diz respeito às suas possibilidades educacionais. Nickel e Hoyt constataram que apesar das alterações neurológicas encontradas elas não necessariamente determinam retardo mental ou impossibilidade de aprendizado. Todos os 31 pacientes de seu estudo eram "educáveis"sendo 1 portador de retardo mental, mas outros autores encontraram variabilidade quanto ao retardo psicomotor. Casteels e cols. constataram que dos 14 pacientes classificados como portadores de ACL, 10 apresentavam performance escolar normal com o Braille e 11 tinham desenvolvimento adequado para a idade. Os demais (3) apresentaram retardo psicomotor severo e alterações cerebelares que entretanto conduzem a outros diagnósticos - Sd. Joubert, Sd. Lhermitte-Duclos e malformação de Dandy-Walker. Noble e Carr encontraram em 1/3 de seus casos algum grau de retardo psicomotor enquanto Schroeder e cols. verificaram retardo mais severo que o esperado devido à deficiência visual; retardo mental estava presente em 23% do total de casos . Vaizey e cols. constataram retardo mental moderado a severo em 11 dos 21 pacientes avaliados (n=30) e Lambert e cols encontraram esta alteração em 13% de seus pacientes. Os resultados de Steinberg e cols. reforçam a hipótese de que os portadores de ACL são capazes de um funcionamento cognitivo normal, apesar de seu fraco desempenho em testes de QI, devendo por isso ser adequadamente estimulados e educados para o desenvolvimento de seu potencial. O valor do EEG para a documentação de lesões de SNC é questionável já que pacientes com deficiência visual importante podem apresentar padrões anormais; excepções são sinais focais ou desordem convulsiva documentada. O tipo de acometimento da retina e do SNC leva a pensar em alterações precoces desencadeadas por mecanismo idêntico e durante um mesmo estágio do desenvolvimento, geneticamente determinadas. Outros achados neurológicos descrito em associação à ACL são surdez (neurossensorial não especificada), autismo, disfunção neuromuscular, hemiparesia, microcefalia, convulsões, hidrocefalia. Evolução da acuidade visual Em estudos onde foi possível a avaliação seriada da acuidade visual pode-se observar melhora, piora e estabilidade, sem contudo um padrão definido de evolução. Fulton e cols. não encontraram associação estatisticamente significativa entre o curso da acuidade visual e dados clínicos como grau de hipermetropia, severidade das anormalidades de fundo de olho e "status"complicado/não complicado. Para se conhecer a acuidade visual - pontual ou sua evolução - de um portador de ACL, esta deve ser avaliada. Diagnóstico diferencial Uma vez que o mecanismo da doença ainda não é conhecido, a ACL é um diagnóstico de exclusão, além de não ser definitivamente um facto consumado. Alguns pacientes com diagnóstico inicial de ACL posteriormente recebem outros diagnósticos (cegueira nocturna estacionária congénita, acromatopsia, retinose pigmentar infantil, Sd. Joubert, Sd. Zellweger, Dç Refsum infantil, etc) , assim como o inverso também é descrito na literatura. Lambert e cols. e Casteels e cols ressaltam que crianças com diagnóstico de ACL devem ser observadas quanto a atraso no DNPM e caso este ocorra mais acentuadamente que o esperado pela deficiência visual outros diagnósticos devem ser pesquisados. Discussão A conduta junto ao paciente com ACL será norteada pela idade do paciente e pelo motivo que o levou à consulta - investigação de nistagmo (no 1° ano de vida), desatenção visual, atraso do desenvolvimento ou reabilitação a partir de um diagnóstico de ACL. Na avaliação visual destes pacientes quanto mais informações - subjectivas e objectivas - obtivermos sobre o seu status visual, mais subsídios teremos no planeamento da reabilitação e no acompanhamento da doença propriamente dita. A avaliação da acuidade visual, como já foi mencionado, é importante, apesar de nem sempre conseguirmos realizá-la com os testes de olhar preferencial ou tabelas de optotipos. Podemos entretanto avaliar o desempenho visual nestes casos, observando a atenção, o interesse por objectos apresentados, o acompanhamento de objectos, da face do examinador, contacto visual, respostas como o sorriso, percepção de objectos no espaço, etc. Em casos mais difíceis podemos proceder a avaliação à penumbra, com objectos iluminados ou com brilho. O restante da avaliação oftalmológica deve também ser o mais completa possível, devido aos achados oculares descritos na ACL que podem corroborar o diagnóstico, interferir no desempenho visual (ceratocone, alta hipermetropia, catarata, por exemplo) ou ainda que levem a outras hipóteses diagnósticas. Os exames electrofisiológicos são importantes, assim como exames de imagem do SNC, entretanto um ERG extinto não determina que a estimulação visual não seja indicada. Mais recentemente o potencial evocado visual de varredura (sweep VEP) vem sendo utilizado para a estimativa da acuidade visual em crianças, mas pode ser não confiável em pacientes com nistagmo ou com o eletroencefalograma muito alterados. Crianças com deficiência visual moderada a severa tendem a apresentar melhor acuidade visual quando avaliada pela técnica de olhar preferencial. Quanto às condutas médicas, além do tratamento de condições associadas (catarata, estrabismo, buftalmo, etc), é muito importante a atenção às ametropias presentes, principalmente a alta hipermetropia. Mesmo com respostas visuais pobres, a prescrição da correcção óptica deve ser considerada. Algumas vezes, se há uma dificuldade de acomodação podemos realizar uma hipercorrecção com a finalidade de estimulação para perto - principalmente nos bebés. A estimulação visual em geral não é realizada pelo oftalmologista, mas a orientação da família e o trabalho em parceria com o profissional responsável são essenciais. Diferentemente do adulto, onde as funções visuais já estão consolidadas, o lactente está num período crítico de desenvolvimento destas funções, que dependem de condições favoráveis para seu acontecimento. A criança aprende a ver com a experiência visual e é este sentido - a visão - o principal motivador do desenvolvimento global, especialmente o motor. Além de graves atrasos globais do desenvolvimento, o lactente com experiências visuais pobres pode ainda desenvolver mecanismos compensatórios indesejáveis como os maneirismos (sinal óculodigital, auto-estimulação sonora, desvios comportamentais), trabalhados também na estimulação. Na realidade o termo habilitação visual é mais apropriado no que diz respeito a este trabalho e quanto mais precoce seu início melhor serão o "outcome"dos portadores de ACL e seu funcionamento ao longo da vida. Nas demais faixas etárias o trabalho de reabilitação será pautado pela visão residual e pelas necessidades do paciente, o que também dependerá do seu nível cognitivo e dos resultados da estimulação precoce. Muitas vezes a visão muito baixa impossibilita o uso de recursos ópticos, sendo necessários recursos de substituição; o treino em orientação e mobilidade também deve ser lembrado. Como a ACL pode evoluir com piora das funções visuais as necessidades dos pacientes podem se modificar ao longo do tempo. Conclusão Pacientes com nistagmo, alterações do desempenho visual e sem alterações fundoscópicas podem ser portadores de ACL, mas este é um diagnóstico de exclusão. O ERG é importante no diagnóstico diferencial. Quanto à acuidade visual, apesar de seu importante comprometimento, deve ser sempre e repetidamente avaliada - não existe um padrão esperado de sua evolução. Quanto ao comprometimento do SNC não existe um consenso, mas algumas alterações estruturais podem ser efectivamente encontradas. Quanto à capacidade cognitiva, os portadores de ACL parecem ser
semelhantes a outras crianças com cegueira congénita e por isso devem ser
adequadamente habilitados, apesar de casos descritos de retardo mental em
graus variáveis. Dra. Flávia Guimarães Paschoalino CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia in
http://www.cbo.com.br/cbo/sociedades/subnormal/
Síndrome de Laurence-Moon Bardet-Biedl [ LMBB ] Na verdade, trata-se de duas síndromes semelhantes e fáceis de serem confundidas num diagnostico clínico. A LMBB é uma doença complexa, que afeta várias partes do corpo, incluindo a retina. Ela aparece na infância, quando a retinose pigmentar é diagnosticada. Outros sintomas ajudam a definir essa síndrome:
Cerca da metade dos que são afetados por essa síndrome tem dificuldades de aprendizado e de desenvolvimento emocional, podendo apresentar em alguns casos, traços de atraso mental. A síndrome LMBB tem um padrão de herança do tipo autossômico recessivo. Ambos os pais nesse caso são portadores do gen da LMBB ao lado de um gene normal, o que faz com que a doença não se manifeste nos pais, mas seja transmitida aos filhos. Em cada gestação, os pais portadores do gene LMBB terão 25% de chances de terem um filho com LMBB. Para isso é necessário que os genes da LMBB dos pais se combinem na criança formando um par de genes com mutações anormais. https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/lmbb.asp
Doença de Refsum e atrofia girata A doença de Refsum e a atrofia girata são desordens metabólicas que envolvem entre
outros problemas a degeneração da retina. São tidas como doenças raras e podem ser
diagnosticadas na infância. A atrofia girata é também uma doença autossômica recessiva que também quebra o metabolismo do aminoácido no organismo. A doença inibe o metabolismo de um aminoácido conhecido como ornitina. Altos índices de ornitina no organismo são prejudiciais podendo causar cegueira noturna, miopia e catarata. https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/refsum.asp
Doença de Stargardt e Fundus Flavimaculatus A doença de Stargardt é a forma mais comum de degeneração macular juvenil. Nela
ocorre a perda progressiva das células fotoreceptoras da mácula, gerando a redução da
visão central, com a preservação da visão periférica. A progressão da Stargardt
varia de pessoa a pessoa, podendo se agravar após os 50 anos. https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/stargardt.asp
Doença de Best A doença de Best é uma distrofia da mácula, que costuma aparecer na infância ou adolescência. Surge como um cisto amarelo que se forma sob o epitélio pigmentar da retina, uma camada que fica abaixo da mácula. Por vezes, o cisto se rompe e espalha o líquido e os depósitos amarelos na mácula. Quando ocorre a ruptura do cisto, a mácula e o epitélio pigmentar da retina sofrem um processo de atrofia, que leva à perda da visão central. Diversamente de outras doenças degenerativas da retina, a doença de Best nem sempre afeta os dois olhos simultaneamente. O exame que se mostra alterado nestes casos é o eletro-oculograma, essencial para o diagnóstico. O padrão de herança dessa doença é do tipo autossômico dominante. Uma pessoa afetada pela doença de Best tem um gene dessa doença e um outro gene normal. Se tiver um filho com uma pessoa não afetada pode ter 50% de chance de passar a doença para a criança. https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/best.asp
Síndrome de Usher A síndrome de Usher envolve uma série de doenças que têm em comum a presença de RP e variados graus de surdez. Temos três tipos de Usher:
A perda auditiva nessa síndrome se deve a problemas com as células nervosas da cóclea, situada na parte interna da orelha e que é responsável pela transmissão do som ao cérebro. O mesmo gene que produz alterações na cóclea afeta também as células fotoreceptoras da retina, levando à RP. Até o momento, não há tratamento que detenha a degeneração da retina ou restaure a audição de uma pessoa afetada pela síndrome. Em alguns casos, um implante de cóclea mostrou resultados positivos em pessoas com surdez profunda. Em muitos casos de surdez moderada, o uso de aparelhos de audição pode suprir a dificuldade auditiva. A síndrome de Usher é transmitida através de herança genética autossômica recessiva. Cada um dos pais de uma pessoa com Usher é portador de um gene normal e um gene da Usher. Quando os genes defeituosos de cada um dos pais se combinam numa criança, ela pode desenvolver a síndrome. Até o momento há nove genes localizados, cujas mutações produzem a síndrome de Usher. Dois deles foram isolados e clonados. A síndrome de Usher pode ser confundida com outras doenças que deixam sequelas na função auditiva, como a rubéola. https://host4.hostseguro.com/~retinasp/doencas/ush.asp
Sabe o que é a Síndrome de Usher? Walquiria Swaricz, Rute Bonfim, Silvania Dias A Síndrome de Usher engloba características genéticas que implicam em perda auditiva e alterações visuais provocadas pela presença de retinose pigmentar É transmitida hereditariamente através de um caracter autossômico recessivo que afeta tanto o sexo masculino como o feminino . Existem três tipos de Síndrome de Usher , nos três casos os sujeitos serão reconhecidos legalmente como cegos.
Existem quatro tipos de Síndrome de Usher: USHER TIPO I Surdez profunda de nascimento e retinose pigmentar, cegueira noturna com perda de equilíbrio. USHER TIPO II Surdez leve a moderada, não progressiva com retinose pigmentar com início na puberdade, cegueira noturna e com perda de equilíbrio na maioria dos casos na fase adulta. USHER TIPO III Surdez neurosensorial congênita progressiva quer dizer nasceram com uma boa audição ou com ligeira perda, que aumenta gradativamente. Apresentam Retinose Pigmentar e cegueira noturna que aparece na infância, com perda de equilíbrio. USHER TIPO IV É um tipo mais raro , afeta apenas 10% da população acometida pela Síndrome de Usher. Por isso a importância de um diagnóstico precoce pois esta Síndrome compromete os dois sentidos considerados primordiais (visão e audição ) , pois acabam levando o indivíduo a cegueira total na maioria dos casos na fase adulta (a cegueira noturna só aparece com maior intensidade na infância e/ ou na adolescência ). Estatisticamente 10% da população mundial é portadora de algum tipo de deficiência. Por isso nos casos de qualquer sintoma relacionado à surdez e a visão precisamos estar atentos , para identificar a presença da Síndrome de Usher. Portanto, percebendo:
A Retinose Pigmentar pode ser encontrada em indivíduos que não são surdos, mas leva o indivíduo gradativamente a perda visual porque é progressiva e degenerativa. Então, o portador de Síndrome de Usher , assim como a família devem ser orientados quanto aos procedimentos de mobilidade e comunicação que deverão aos poucos sendo adoptados , seguindo a evolução da patologia. Com certeza necessita-se de um diagnóstico precoce e preciso sobre a Síndrome de Usher, porque falar de diagnóstico é falar de qualidade de vida. Necessita-se de uma equipe de profissionais para que possam desenvolver um bom trabalho com o portador da Síndrome de Usher: O objectivo deste informativo é levar ao indivíduo portador da Síndrome de Usher e a sua família a obter informação e o conhecimento dos recursos necessários ao trabalho de reabilitação, para que possam juntos e auxiliados por uma equipe participar ativamente na tomada de decisões sobre sua formação e seu futuro, integrando-se socialmente . Em nossa experiência os indivíduos pesquisados que freqüentam o Cresa - Centro de Reabilitação Sydnei Antonio, foram diagnosticados na faixa etária dos 10 aos 20 anos Todos são portadores de surdez e de perda visual onde a retinose pigmentar foi diagnosticada. Os procedimentos adoptados nesses casos foram:
Atendimento às necessidades iniciais:
Acompanhamento à família:
Apoio do estimulador visual para desenvolver técnicas de orientação e mobilidade com
o portador da Síndrome de Usher. O trabalho realizado no Cresa ( Centro de Reabilitação Sydnei Antonio ) é estimular os indivíduos portadores de surdez e visão subnormal. Os
portadores desta síndrome são orientados a medida que a perda visual avança desta forma
vai-se trabalhando com o aluno para que ele chegue a uma independência enquanto apresenta
bom resíduo visual e ainda tem preservada a sua visão periférica e central. Este
procedimento é importante para que ele não chegue no futuro a um isolamento social e
para que não gere dependência emocional ,fazendo sim, que ele possa ser capaz de suprir
suas necessidades básicas. Acompanhamento: Síndrome de Usher, nossa experiência. Uma vez diagnosticada a Síndrome de Usher é imprescindível a união de todos os
componentes da equipe. É de fundamental importância oferecer aos alunos com Síndrome de
Usher a aprendizagem de todas as técnicas que lhes ajudem a manter sua autonomia e
integridade física e psíquica. O objectivo primordial é evitar que o nosso aluno,
torne-se dependente na medida que a perda visual aumente e sinta a imperiosa necessidade
de assistência permanente, por parte dos adultos ouvintes. Para isso creio ser
necessário que se informe ao aluno, o problema visual e o que deve ser feito conforme as
dificuldades venham surgindo. Resultados obtidos durante o processo .
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