Sobre a Deficiência Visual

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  ³  A Saúde dos Olhos
 

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Cataratas

  1. Cataratas - os olhos também envelhecem - JAS Farma
  2. Catarata - Dr. Leôncio Queiroz Neto
  3. A Catarata - Lincx, Serviços de Saúde
  4. Catarata Congénita - BiblioMed
  5. Cataratas - JAS Farma

 

Cataratas - os olhos também envelhecem

SAPO

Por muito que não o queiramos, envelhecer faz parte de nós, está geneticamente programado. Os anos passam e o nosso organismo vai perdendo faculdades. E os olhos também envelhecem. Com o tempo, vamos perdendo «pormenores» de visão, capacidade de focagem, muitas vezes devido às cataratas.

«A catarata é uma opacidade do cristalino. É este que permite a focagem das imagens na retina e simultaneamente focar diferentes distâncias, nas pessoas jovens. A partir dos 40 anos, esta capacidade diminui. É a denominada acomodação, que obriga a usar óculos de perto», explica o Dr. Elmano Vendrell, director do Serviço de Oftalmologia do Hospital dos Capuchos.

Segundo este oftalmologista, as cataratas podem ter muitas causas, «mas geralmente são devidas a alterações metabólicas do organismo no sentido do envelhecimento normal do olho. É uma substância proteica que, sendo produzida em menor quantidade, conduz à perda da transparência. É isso que constitui a catarata». As deficiências alimentares também estão ligadas ao aparecimento deste problema. Insuficiências vitamínicas, alimentação desregrada e algumas doenças como a diabetes são factores externos desencadeadores das cataratas. «A consequência principal deste tipo de patologia é a diminuição da acuidade visual, que origina dificul-dades na leitura, na condução de um automóvel, em encarar a luz. Estas pessoas têm problemas de adaptação ao passar de um ambiente escuro para um mais luminosos e vice-versa», esclarece Elmano Vendrell.

Cegueira curável

Numa fase inicial, o tratamento passa por tentar compensar a alteração metabólica, introduzindo factores que vão favorecer o metabolismo do cristalino. É uma tentativa de retardar a evolução da catarata. «A minha experiência diz que existem determinadas vitaminas que retardam o seu aparecimento, mas é apenas uma questão de tempo», confessa. O único tratamento definitivo é a cirurgia, sendo talvez «a cirurgia mais espectacular em termos de resultados de toda a medicina, dada a possibilidade de recuperação da visão praticamente a valores normais após a operação».

Este tipo de cirurgia está indicada sempre que a pessoa sinta uma diminuição das suas capacidades visuais, quer na sua profissão, quer no seu dia a dia. «Mas tudo depende da vontade do doente em ser ou não operado. Ainda deparamos com alguma resistência à cirurgia, mesmo em pessoas idosas com visão bastante reduzida. Há receio do acto operatório, como podendo ser doloroso, o que hoje em dia não sucede», afiança Elmano Vendrell.

Dados concretos sobre o número de portugueses com esta patologia não existem, mas «sabe-se que é a mais frequente causa de cegueira, cegueira curável, entenda-se».

«São muito frequentes entre os 60 e os 80 anos. Uma pessoa pode estar cega devido às cataratas durante anos e, na sequência da operação, recuperar a visão completamente. É a forma de cegueira mais facilmente recuperável, graças aos bons resultados da cirurgia», conclui o oftalmologista.

A evolução da cirurgia

A operação da catarata já se faz desde tempos imemoriais. Na época dos egípcios já a catarata era tratável. A técnica era, evidentemente, bastante rudimentar: «Introduzia-se uma agulha no olho e fazia-se a catarata descair do centro do olho para a parte posterior, libertando a parte central do olho, permitindo assim restabelecer a visão.» Esta era uma técnica que provocava complicações graves, embora pudesse não ser muito dolorosa, «sobretudo se o doente fosse colocado num estado de embriaguez, a única anestesia na altura. Com esta poder-se-iam obter resultados espectaculares», sublinha o oftalmologista.

A técnica evoluiu ao longo dos séculos, até à cirurgia moderna da catarata, «que terá começado por volta de 1800 e desde então temos assistido a melhoria das técnicas, apresentando resultados cada vez melhores». Hoje em dia, a técnica mais utilizada não implica a remoção total da catarata, a parte exterior deixa-se ficar. «Na cápsula que permanece transparente, mesmo em fases avançadas da doença , é introduzida uma lente artificial, que permite uma visão quase tão boa como aquela que o doente tinha antes da catarata. Este é, sem dúvida, um grande passo, dado que anteriormente era necessário usar óculos com lentes grossas para se conseguir focar as imagens», acrescenta Elmano Vendrell.

Actualmente, a lente que é colocada dentro do olho é invisível e adapta-se de uma maneira próxima às necessidades de cada indivíduo. «Há até a possibilidade de introduzir lentes com correcção para ver ao perto, usando lentes multifocais que permitem uma visão igualmente boa ao longe e ao perto», refere o oftalmologista.
Este contínuo progresso ao nível da cirurgia da catarata culminou na mais recente técnica – a facoemulsificação. «Esta técnica permite, através do recurso aos ultra-sons, destruir o núcleo da catarata. A sua aspiração é depois feita por uma incisão extremamente pequena, cerca de 3 mm. Consegue-se assim não só uma maior segurança como também concretizar a intervenção de forma muito mais rápida. Em mãos experientes, este tipo de cirurgia pode ser executada em 15-20 minutos, o que era impossível fazer com as técnicas ditas clássicas», conclui Elmano Vendrell.

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da JAS Farma, Comunicação.
E-mail: medicina@canais.sapo.pt

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Catarata

Dr. Leôncio Queiroz Neto
 

O olho humano possui uma estrutura intra-ocular denominada cristalino. O cristalino está localizado atrás da íris, ele é incolor e quase completamente transparente, medindo cerca de 4 mm de espessura e 9 mm de diâmetro.


A função do cristalino é focalizar os raios luminosos sobre a retina. A capacidade que ele tem de mudar seu formato para permitir a focalização de objectos próximos sobre a retina, é denominada acomodação. A partir dos 40 anos, o poder de acomodação do cristalino torna-se gradativamente reduzido, aparecendo o que chamamos de presbiopia. A presbiopia é também conhecida como visão cansada, havendo a necessidade de óculos para perto.

O cristalino pode sofrer algumas alterações como opacificação, distorção, deslocamento ou anormalidades geométricas.

Qualquer uma dessas alterações vai originar uma visão borrada, sem ocasionar dor. A alteração mais freqüente do cristalino é a sua opacificação, que é o que denominamos de CATARATA. A catarata pode ter várias etiologias como traumática, congênita, por uso de medicamentos, inflamatória, entre outras. Porém, a causa mais comum de catarata é aquela relacionada a idade, também denominada catarata senil. Estima-se que mais de 50% das pessoas acima de 60 anos e algumas mais jovens sofrem de catarata.

A catarata, como já mencionado, é a turvação progressiva do cristalino, interferindo na absorção da luz que chega a retina, causando uma visão progressivamente borrada. A leitura fica mais difícil e dirigir um carro pode se tornar perigoso. O portador de catarata pode se sentir incomodado por luz forte ou ver halos ao redor das luzes. No início, a mudança no grau dos óculos pode ajudar, mas com o avanço da catarata a visão vai diminuindo. Na maioria dos casos a catarata é bilateral, no entanto assimétrica.

Não existe tratamento clínico para a catarata, uma vez formada o único tratamento existente é a sua extração cirúrgica. A sua remoção cirúrgica é indicada quando a diminuição visual interfere com as actividades normais do paciente, gerando uma pior qualidade de vida. Uma outra indicação para sua extração é quando a mesma está ocasionando um aumento na pressão intra-ocular do paciente.

Antigamente, a cirurgia de catarata era considerada arriscada e era evitada sempre que possível. Havia a necessidade de internação hospitalar por uma semana ou mais e as complicações eram freqüentes, havendo a necessidade de usar um óculos extremamente forte após a cirurgia. Hoje em dia muitas coisas mudaram, a cirurgia de catarata é realizada em regime ambulatorial com anestesia local, as complicações são menos freqüentes e sempre que possível é colocada uma lente intra-ocular no lugar daquele cristalino retirado, evitando assim a necessidade de óculos com lentes muito fortes no pós-operatório.

Existem atualmente duas técnicas para extração da catarata:

  • a extração extra-capsular do cristalino (EECC) e
  • a facoemulsificação

A EECC é uma técnica ainda muito utilizada, porém ela exige uma grande incisão para a retirada da catarata, havendo assim a necessidade de mais pontos cirúrgicos, levando a um retardo na recuperação da visão nítida; para a nitidez visual leva-se de 60 a 90 dias.

Já a facoemulsificação, é uma técnica mais avançada. Ela consiste em uma pequena incisão, através da qual entra um aparelho que se utiliza de ondas de ultra-som para fracionar o cristalino e aspirar todos os seus fragmentos. Durante a cirurgia é mantida a cápsula posterior (saco capsular) do cristalino, para que sobre ela seja colocada uma lente intra-ocular (LIO). Nesta técnica cirurgia emprega-se as lentes intra-oculares flexíveis ou expansíveis, pois estas LIOs serão implantadas por uma incisão pequena. A incisão tunelizada e auto-selante ; irá cicatrizar-se com ajuda da pressão natural do olho, entretanto, o médico poderá decidir executar um ponto para maior segurança. Essa técnica permite uma recuperação visual mais rápida que a EECC, devido a pequena incisão e as LIOs dobráveis e ou expansïveis.

Em algumas ocasiões pode não ser possível o implante da LIO no acto cirúrgico, nesses casos o paciente tem a alternativa de uso de óculos ou lente de contacto ou até mesmo de fazer um novo implante de LIO num segundo tempo cirúrgico. Apesar de todo o avanço na cirurgia da catarata e de todo o cuidado do cirurgião, o paciente tem que ter em mente, que como todo acto cirúrgico, essa cirurgia não é banal e nem isenta de complicações. O fato desta cirurgia usar equipamentos digitais, computadorizados e que são dotados da mais alta tecnologia não a eximem das complicações. A visão é a responsável por 85% a 90% do nosso relacionamnto com o meio ambiente...com a vida.

As complicações como descolamento de retina, opacificação da córnea, aumento da pressão intra-ocular, inflamação e infecção ocular podem ocorrer, embora pouco freqüentes. No período de recuperação é muito importante que o paciente siga todas as orientações de seu médico, use adequadamente as medicações prescritas e compareça a todos os retornos marcados, para evitar ou mesmo detectar precocemente qualquer complicação. As pessoas tem diferentes períodos de recuperação, mas a maioria dos pacientes apresentam uma melhora significativa da visão rapidamente após a cirurgia. Geralmente o paciente vai necessitar de óculos após a cirurgia, sendo que o mesmo costuma ser prescrito em torno de 4 a 6semanas de pós-operatório; muitas vezes estes óculos são apenas para a visão de perto (leitura).

Uma vez removida, a catarata não voltará. No entanto, com o decorrer do tempo, em alguns paciente pode haver uma opacificação daquela cápsula posterior que foi preservada para poder ser implantada a LIO. Nesses casos o problema é geralmente resolvido por meio de um rápido tratamento denominado Yag Laser, que é realizado no próprio consultório.

DR.LEONCIO DE SOUZA QUEIROZ NETO

http://www.drqueirozneto.com.br

http://www.saudevidaonline.com.br/

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A Catarata

Lincx - Serviços de Saúde
 

A catarata é uma região nebulosa na lente do olho. A catarata bloqueia ou destorce os raios de luz que entram nos olhos. Isto causa o brilho exagerado de fontes, como lâmpadas ou raios do sol. A visão torna-se gradualmente borrada, perdendo a nitidez, mesmo durante o dia. A catarata geralmente ocorre nos dois olhos, mas pode afetar apenas um deles. Se ocorrer em ambos, um deles pode ser mais prejudicado. Pois a doença se desenvolve a uma velocidade diferente em cada olho. No início, a visão pode ser melhorada através de trocas freqüentes de grau nas lentes dos óculos. Existem muitas causas para as cataratas:

 

  • A forma senil. É a mais freqüente. Ela é resultado do envelhecimento, provavelmente decorrente de mudanças no estado químico das proteínas das lentes dos olhos. Aproximadamente 50% das pessoas com mais de 65 anos têm catarata, e essa porcentagem sobe para 70% nas pessoas com mais de 75 anos.
  • Catarata traumática. Ocorre quando um corpo estranho penetra o olho com força suficiente para causar um lesão específica.
  • Catarata complicada. Ocorre secundariamente a outra doença (por exemplo: diabetes) ou outra doença ocular (por exemplo: descolamento de retina, glaucoma, retinite pigmentar). Radiação ionizante e raios infravermelhos podem levar a esse tipo de catarata. Um bebé pode nascer com catarata em um ou ambos os olhos se a mãe tiver rubéola durante a gestação.
  • Catarata tóxica pode ser conseqüência de algum medicamento ou produto químico tóxico. Os fumantes têm maiores riscos de desenvolver cataratas.

 

Sinais e sintomas

  • Visão borrada, sem nitidez, esfumaçada e nebulosa.
  • Sensibilidade à luz e prejuízo da visão noturna. Podem surgir problemas ao dirigir à noite, pois os faróis podem parecer muito claro com o brilho excessivo.
  • Visão dupla.
  • Pupilas normalmente escuras aparecem esbranquiçadas, leitosas.
  • Halos ao redor das luzes.
  • Mudanças na percepção das cores
  • Problemas com raios de luzes e do sol
  • Melhora temporária da visão, apenas em pessoas que apresentam hipermetropia. É a chamada "Segunda Visão".

 

Prevenção

  • Evite expor seus olhos à raioX, microondas e radiação infravermelha.
  • Use óculos escuros que bloqueiam as ondas ultravioleta UVA e UVB.
  • Use chapéu de abas largas ou boné para evitar a luz directa do sol em seus olhos quando estiver ao ar livre.
  • Evite expor-se exageradamente ao sol.
  • Use óculos de proteção quando estiver utilizando produtos químicos, ferramentas potentes ou outros instrumentos que podem lesar seus olhos.
  • Não fume.
  • Evite beber excessivamente.
  • Coma alimentos ricos em beta-caroteno e/ou vitamina C, que previne ou retardam a catarata. Cenouras, cantalupo, laranjas e brócules são exemplos desses alimentos.
  • Siga as orientações de seu médico para manter outras doenças sobre controle, como o diabetes.
  • Para as mulheres: vacine-se contra rubéola se você não tiver tido essa doença e planeja engravidar.

 

Tratamento e cuidados

Se a perda de visão causada pela catarata for leve, a cirurgia pode não ser necessária. Uma mudança de lentes nos óculos ou a utilização de lentes de aumento com a adopção de medidas para reduzir o brilho das luzes podem ser medidas terapêuticas suficientes.
Para reduzir o brilho, use óculos escuros com filtro para raios UVA e UVB quando estiver ao ar livre. Quando estiver em ambiente fechado, certifique-se de que as luzes não estão muito claras ou focalizadas em sua direção. Utilize lâmpadas leitosas e faça com que reflitam nas paredes e no teto. Quando a catarata passar a interferir em sua vida, a cirurgia deve ser considerada como opção de tratamento.
A cirurgia realizada atualmente é moderna, segura e eficaz em restaurar a visão. 95% das cirurgias são um sucesso. Geralmente são feitas sem necessidade de internação hospitalar ou no máximo requerem uma noite no hospital.
Na cirurgia de catarata geralmente se coloca uma lente especial no olho afetado. Esse disco de plástico é chamado de lente intra-ocular e é colocado no interior do olho. Outras opções são as lentes de contacto ou óculos para catarata. Seu médico o ajudará a decidir qual a melhor escolha para você.
Após a cirurgia de catarata são necessários alguns meses para a cicatrização completa do olho. Em geral, os especialistas preferem aguardar a cicatrização de um olho antes de operar o segundo, se este tiver catarata também.
Após a cirurgia, continue a proteger o seu olho com óculos escuros com filtro para os raios UVA e UVB.

 

http://www.lincx.com.br/lincx/orientacao/doencas/catarata.html

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Catarata Congénita

BiblioMed
 

Sendo uma das principais causas de cegueira infantil no mundo de hoje, a catarata congénita merece atenção especial. Esta alteração do cristalino pode ser causada por doenças infecciosas, alterações genéticas e outras enfermidades. O diagnóstico acurado e precoce é a chave para evitar complicações irreversíveis. Nunca é demais enfatizar o papel do Pediatra, do Obstetra e do Neonatologista na triagem correcta dessa enfermidade.

Introdução

A Catarata é definida como qualquer perda de transparência do cristalino que diminua a acuidade visual. Dependendo do grau de opacificação, pode haver interferência na passagem de luz, por distorção ou redução na quantidade de raios luminosos que atingem a retina. A maioria das cataratas é invisível a olho nu até que se torne suficientemente densa para causar cegueira. No entanto, ao exame através da pupila dilatada usando uma lâmpada de fenda, qualquer catarata em estagio inicial pode ser diagnosticada. A principal forma de catarata está associada ao envelhecimento, por alterações fisiológicas em sua espessura e capacidade de acomodação. Mas essa doença também pode advir de alterações na formação do cristalino, estando presente desde o nascimento, sendo então classificada como Catarata congénita.

Mundialmente, a catarata congénita tem uma incidência de 0,4% ou 1 caso para cada 250 neonatos. Pode-se dizer que é uma incidência relativamente alta se comparada ao retinoblastoma (o tumor maligno mais comum na infância) que acomete 1 a cada 18.000 nascidos vivos. Nos EUA, epidemiologistas estudaram a prevalência da catarata congénita, chegando a um resultado de 3,0 a 4,5 casos por 10.000 nascidos vivos. Chega-se à conclusão que a catarata congénita pode ser considerada a maior causa de cegueira na infância.

No Brasil, esse tipo de catarata é uma das causas mais freqüentes de cegueira na infância, respondendo por uma incidência de 5,5 a 12%. Por ser uma causa comprovada de cegueira infantil e por requerer diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico imediato, a catarata congénita merece a atenção dos profissionais de saúde.

A catarata congénita ocorre por alterações na formação do cristalino. Essas alterações podem ter como causas: infecções intrauterinas, como rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus e sífilis; galactosemia; hereditariedade através de heranças autossômicas dominantes ou recessivas; secundárias a uveítes, uso de corticóides e trauma; erros inatos do metabolismo; síndromes genéticas; malformações oculares congénitas; hipoparatiroidismo ou idiopáticas. Estudos recentes apontam que pode ocorrer uma falha nas interações protéicas, o que levaria a uma diminuição da solubilidade protéica no cristalino com formação da catarata.

Quadro Clínico E Diagnóstico

O sintoma inicial da catarata congénita (assim como em qualquer tipo de catarata) é a perda progressiva da acuidade visual podendo chegar à cegueira total, por evolução na opacificação do cristalino. Entretanto os sintomas da criança podem ser um tanto mais complexos, caso o indivíduo com catarata não seja tratado precocemente. A principal alteração é a ambliopia, uma lesão irreversível decorrente da não-maturação sensorial das vias ópticas por falta de estímulo luminoso adequado. Outro sintoma que pode ocorrer pelo inadequado estímulo luminoso é o nistagmo.

Para diagnóstico correto da catarata congénita é essencial que se faça uma historia de doença materna durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola, sífilis e citomegalovirose), uso de drogas durante a gestação e historia familiar de catarata. Feito isso, inicia-se o exame da criança que deve consistir no mínimo de biomicroscopia. Outros exames oftalmológicos complementares que devem ser feitos são: oftalmoscopia directa e indireta para avaliação do disco óptico e de possíveis alterações retinianas; medida da pressão intraocular. Estes exames podem ser feitos com a criança sob narcose, caso seja necessário. Deve ser realizada também triagem sorológica para toxoplasmose e rubéola e ainda análise genética caso a hipótese de catarata congénita seja levantada pelo exame oftalmológico.

O diagnóstico da catarata congénita é difícil e costuma passar desapercebido, pois o exame biomicroscópico (o único capaz de diagnosticar essa doença) raramente é realizado em neonatos. Ocasionalmente, a catarata pode se tornar visível para os pais da criança ou para o pediatra como um reflexo pupilar branco chamado de leucoria, mas apenas as cataratas completas são vistas dessa maneira. Outros sinais como o nistagmo, fotofobia ou desinteresse pela luz, estrabismo e diplopia, podem levantar a suspeita de alguma lesão ocular.

É necessário, portanto, que haja algum tipo de conscientização dos pediatras, neonatologistas e até obstetras a respeito da gravidade desse problema e da necessidade da triagem correcta desses pacientes, visto que, na maioria das vezes, o diagnóstico da catarata congénita é feito, por acaso ou tarde demais.

Tratamento

O tratamento da catarata congénita deve ser o mais precoce possível e a abordagem irá depender de alguns fatores: da localização e intensidade da opacificação; do grau de deficiência visual ocasionado; de alterações oculares associadas e da idade da criança. O tratamento de cataratas parciais que dificultam pouco a visão do paciente pode ser realizado, algumas vezes, com colírios midriáticos, oclusão e óculos especiais para melhorar a acuidade visual.

Nos casos de catarata total ou parcial com baixa acuidade visual, a cirurgia deve ser realizada o mais precocemente possível (no máximo, antes de 12 semanas de vida). O tratamento dentro do menor período possível evita a instalação de ambliopia irreversível com atrofia do corpo geniculado lateral. Estudos recentes mostram que o tratamento cirúrgico dos pacientes durante as primeiras duas semanas de vida, responde pelos melhores resultados a curto e longo prazo contribuindo para um baixo índice de complicações e melhor recuperação do paciente.

A cirurgia de catarata congénita pode ser feita por meio das técnicas de facectomia extracapsular, facomulsificação ou lensectomia. Podem surgir complicações no pós-operatório como glaucoma ou opacidades secundárias ao trauma cirúrgico que devem ser prontamente tratadas. Com freqüência e relativa intensidade, ocorre inflamação intra-ocular no período pós-operatório nas crianças. A corticoterapia tópica ou até sistêmica deve ser instituída para controle da inflamação. Com a cirurgia, a capacidade de acomodação do cristalino (sua principal função) é perdida, obrigando a correção da visão de perto com lentes especiais.

O implante de lentes intra-oculares (LIO) conjuntamente a uma vitrectomia anterior via pars plana é o procedimento preconizado em crianças maiores de dois anos, mas o emprego de LIO em recém-nascidos ainda é controverso, pois antes dos 8 anos o olho ainda não atingiu o seu tamanho definitivo. Como já dito, o tratamento precoce impede a instalação de alterações irreversíveis como ambliopia. No entanto, em alguns casos a acuidade visual obtida após a cirurgia é baixa, sendo necessária instituição de medidas de suporte e reabilitação, como estimulação visual precoce e uso de lupas ou lentes de aumento durante a fase escolar.

Conclusão

A catarata congénita é definida como a diminuição da acuidade visual por opacificação do cristalino decorrente de malformações. As causas dessas alterações na formação embriológica do cristalino variam de causas infecciosas (por exemplo, toxoplasmose e rubéola) a causas genéticas (por exemplo, heranças gênicas ou síndromes genéticas); erros inatos do metabolismo, ou causas idiopáticas. Os sintomas principais são a baixa da acuidade visual, podendo evoluir para cegueira. Tanto o pediatra quanto o obstetra e o neonatologista devem triar corretamente os recém-nascidos e suas mães para que o diagnóstico seja confirmado o mais precocemente possível. Com isso, um tratamento adequado deve ser instituído o mais rápido possível, evitando complicações irreversíveis como a ambliopia, por falta de maturação das vias ópticas. Finalmente, devemos salientar que as baixas visuais e a cegueira interferem na dinâmica familiar, psíquica, social e profissional do paciente acometido, devendo, suas causas, serem diagnosticadas e tratadas corretamente.

BiblioMed

http://www.drashirleydecampos.com.br/ 

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Cataratas

JAS Farma
 

1. as alterações do cristalino

Com o avançar da idade, são poucos os olhos que resistem à imposição da névoa, clinicamente denominada por catarata.

E a explicação é simples. O olho humano possui uma estrutura intra-ocular denominada cristalino, transparente, que tem por função focar os raios luminosos que a retina recebe. Com o processo da acomodação a permitir a focagem dos objectos na retina, a verdade é que o avançar da idade e as alterações metabólicas do organismo potencializam o surgimento de alterações no cristalino.

Por isso, depressa conseguimos associar as manifestações – opacificação, distorção, deslocamento ou anomalias geométricas – à perda de visão por efeito da catarata.

«Muitos doentes referem que têm uma visão nublada, ainda que algumas cataratas possam manifestar-se com outros sintomas, como a diplopia (ver duas imagens). Porém, o principal sintoma é a baixa de visão», explica o Dr. Alberto Cardoso, oftalmologista no Hospital de Egas Moniz, em Lisboa.

Mas existem ainda outros aspectos que podem ser referenciados pelos doentes:

«Há quem veja melhor à noite, outros durante o dia; há doentes em que a visão é principalmente afectada ao perto, outros ao longe, outros vêem mal em contraluz. Tudo depende da opacidade da estrutura do cristalino», acrescenta o especialista.

Apesar do processo degenerativo, associado à idade, ser o factor que mais predispõe à obstrução, clinicamente denominada catarata senil, existem outras razões etiológicas a conhecer.

Menos comuns que a anterior, o especialista clarifica que o problema pode impor-se logo à nascença – catarata congénita –, normalmente desencadeada por uma infecção intra-uterina ou por consequência de uma doença infecciosa da mãe, como a rubéola.

A existência de uma doença sistémica, como uma diabetes mal controlada, pode igualmente ajudar à formação de opacidades no cristalino. Seguem-se as doenças oftalmológicas do tipo inflamatório, como as uveítes, e também a toma prolongada de alguns medicamentos, como os fármacos com cortisona, que podem precipitar o aparecimento da catarata iatrogénica.


2. cirurgia da catarata

«Hoje, a grande arma terapêutica é a cirurgia», observa Alberto Cardoso.

Em pouco mais de 20 minutos, a visão é restabelecida e as limitações recuperadas, através da técnica da facoemulsificação.

Com a recuperação feita em ambulatório – mais cómodo para o doente e com menos encargos financeiros para os serviços de saúde –, uma das novidades é o recurso a gotas anestésicas, e não, como se poderia pensar, o recurso à injecção periocular.

«Hoje, a cirurgia da catarata envolve sempre, mas sempre, a introdução de uma lente dentro do olho, o que permite uma recuperação visual mais rápida», continua o especialista do Egas Moniz.

E em que é que tal consiste? «O cristalino é algo parecido com uma lente biconvexa, semelhante a um tremoço. A operação consiste em abrir a casca do tremoço (cápsula interior e uma exterior), retiramos o seu recheio (córtex do cristalino) e colocamos uma lente no seu interior», explica o médico.

Recorrendo ao sistema de ultra-sons, a facoemulsificação envolve assim a «conservação da cápsula posterior de forma que a lente intra-ocular que é colocada fique apoiada».

 

3. mudam-se os tempos

Em 20 anos as terapêuticas associadas à cirurgia da catarata ocular não pararam de evoluir.

Com um percurso de contínua aprendizagem e aperfeiçoamento, os primórdios da intervenção cirúrgica fundam-se na técnica de extracção intracapsular, que consistia na remoção da catarata em bloco, entre cápsulas.

«Congelava-se a catarata pelo método da crioextracção. Apesar de eficaz, os indivíduos tinham de usar óculos com lentes muito grossas no pós-operatório, o que originava alterações profundas de campo visual – da orientação espacial e do tamanho das imagens», avança o oftalmologista.

Com a extracção intracapsular a ganhar honras de bloco operatório, depressa os clínicos constaram que a colocação de uma lente dentro do olho poderia trazer benefícios.

Porém, a opção inicial de colocá-la à frente da íris trouxe «inúmeras implicações clínicas», observa Alberto Cardoso. Por isso, rapidamente a opção passou a ser colocar a lente por detrás da íris – extracção extracapsular.

Actualmente, com a técnica da facoemulsificação generalizada, o oftalmologista do Egas Moniz refere que «é muito provável que outras técnicas surjam, uma vez que tem havido uma grande inovação nas técnicas cirúrgicas e nas lentes».


4. os mitos do laser

É muito vulgar ouvir os doentes questionarem o médico sobre o recurso ao sistema de laser no tratamento da catarata.

Contudo, o Dr. Alberto Cardoso avisa que essa é uma informação errada: «É verdade que existem aparelhos cuja técnica de emulsificação não recorre aos ultra-sons, mas ao sistema laser. A questão é que não são os mais perfeitos, uma vez que o laser tem dificuldade em actuar em cataratas extremamente duras.»
No entanto, o especialista acrescenta que há realmente situações clínicas que implicam o recurso à técnica de laser: as cataratas secundárias.

«A cirurgia devolve sempre a visão ao doente, se a patologia for apenas a catarata. Porém, passado algum tempo verifica-se que alguns doentes começam a ficar com a visão diminuída.»
«Percebeu-se, então, que o problema residia na opacidade da cápsula posterior, que necessitava de ser aberta pelo laser para restituir a visão perdida», remata Alberto Cardoso. 

 in http://saude.sapo.pt/gkB9/580364.html

 

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